Extermínio: A Evolução (em inglês chamado de 28 Years Later) já havia quebrado a expectativa de uma abordagem semelhante aos dois filmes anteriores da franquia Extermínio, que prezavam em criar um futuro pós-apocalíptico mais palpável e próximo de uma possível realidade. O novo longa abre as possibilidades de um mundo mais fantasioso e maluco, iniciando uma trilogia de filmes com a alcunha de “28 Years Later”, todos (aparentemente) sequências diretas uns dos outros.

Como havia comentado sobre minhas expectativas, na crítica que escrevi sobre filme anterior, a segunda parte, Extermínio: O Templo dos Ossos, chega explorando mais a personalidade dos personagens mais excêntricos do outro filme: Sir Lord Jimmy (Jack O’Connell) e o Dr. Kelson (Ralph Fiennes). O protagonista do primeiro da trilogia, Spike (Alfie Williams), é capturado pelo bando de adoradores do demônio liderado por Jimmy – que descobrimos ser o menino que assistia Teletubbies segundos antes da infecção destruir sua família. Enquanto isso, o responsável pelo templo dos ossos faz uma amizade inusitada com Sansão (Chi Lewis-Parry), o zumbi alfa que agora é viciado em entorpecentes e, com isso, o médico desconfia de que a infecção não afeta somente o físico, mas também a mente.

Dessa forma, as duas narrativas seguem separadas: com o bando de Jimmy aterrorizando os sobreviventes que encontram pelo caminho, tudo em nome do “Old Nick” (como eles chamam o diabo) e o Kelson experimentando suas hipóteses em Sansão e buscando uma cura para a doença dos zumbis. Spike, no entanto, não avança na exploração do continente, pois fica preso à esparsa trama dos Jimmy, e nenhum dos outros dois personagens surge como um protagonista com uma história ou com objetivos para que o espectador possa seguir. A narrativa fica sem um fio condutor.

Com isso, as cenas parecem muito aleatórias, especialmente no bando psicopata, que usa da tortura como entretenimento, mas sem cenas dramáticas, engraçadas ou grotescas o suficiente para importar. A parte de Kelson e Sansão é um pouco mais interessante pela perspectiva de uma mudança na atitude do zumbi, uma cura ou medicação, bem como a possibilidade de uma conexão real entre os dois – aqui também o longa usa músicas do Duran Duran, talvez para criar um clima mais leve e distrair o espectador. O problema, neste caso, é que é material para um curta e não preenche o filme (até por isso a existência da outra trama). Assim, parece que pelo menos dois terços do filme são uma espera para o clímax final.

Aí sim. Quando as histórias convergem é até catártico, e finalmente o uso da canção parece que tem um propósito na trama para além de parecer descolado ou de distrair – e não me leve a mal, mas a cena é o ápice do “cool”, de longe a melhor coisa do filme. Pena que demora tanto tempo para chegar e dura tão pouco. Não satisfeito, o filme termina com uma provocação em um epílogo que estabelece o direcionamento do último longa da trilogia (que segundo rumores, volta a direção de Danny Boyle).

Nia da Costa faz um trabalho competente, dispensando o iPhone do anterior e trabalhando com câmeras convencionais, ainda mantendo um bom uso das paisagens (como no templo dos ossos), porém com mais foco em close-ups. A vantagem é que ela tem os ótimos Ralph Fiennes e Jack O’Connell para segurar nas expressões, cada um maluco à sua maneira distinta.

Dessa maneira, Extermínio: O Templo dos Ossos parece, na maior parte, que só está passando um tempo para chegar até uma conclusão apoteótica da franquia. Falta um fio condutor para a narrativa, que tem bons momentos, mas não consegue avançar muito na trama – inclusive com algumas possibilidades interessantes de desenvolvimento que ficam pelo caminho. Agora resta esperar o final, para o qual eu, sinceramente, ainda estou empolgada.