Este longa vai ficar conhecido como a despedida do cinema da estupenda Fernanda Montenegro. A atriz, de 96 anos, teve sua estreia na telona com A Falecida, em 1965, depois de uma já extensa carreira no teatro, rádio e televisão e agora, em 2026, 61 anos depois, ela anunciou que este será seu último filme.
Dirigido por seu filho, Cláudio Torres, Velhos Bandidos é uma celebração dessa geração nonagenária que ainda está lúcida, engraçada e cheia de dignidade, em filme de assalto que subverte o que é esperado de pessoas com idade tão avançada colocando-as no centro da ação. Junto com Fernandona estão: Ary Fontoura, Tony Tornado, Nathalia Timberg, Reginaldo Faria e as “jovens” Vera Fischer e Teca Pereira como parte do grupo que vai praticar o roubo, uma espécie de Onze Homens e um Segredo da terceira idade.
No entanto, os idosos ainda precisam da ajuda de uma dupla de ladrões, um pouco mais jovens, composta por Sid e Nancy (Vladimir Brichta e Bruna Marquezine) – que nada tem a ver com a referência do casal Sid Vicious e Nancy Spungen para além do nome mesmo – para fazer o trabalho braçal dentro do banco, onde está o dinheiro a ser roubado. Além disso, o grupo também deve se preocupar com o investigador policial Oswaldo (Lázaro Ramos), que já está na cola dos bandidos.
Com esse elenco de peso, a narrativa é uma aventura bem humorada, com um ritmo eletrizante e várias reviravoltas, que mantém a curiosidade e a surpresa sobre o que pode acontecer em seguida. Um estilo “Sessão da Tarde” bem animado, onde claramente todos os envolvidos estavam se divertindo muito, ao ponto que, em várias cenas, nem pareciam os personagens falando, mas uma versão dos atores – um exemplo notável é quando os novatos são apresentados à equipe.
Apesar disso, ainda há que se observar a estética, que é identificada como um “padrão Globo” e que, inclusive, está creditada na coprodução do longa. Algumas das características são: a maior parte das cenas gravadas em plano médio ou close-up e uma polidez característica nas cenas onde tudo é muito esteticamente correto, porém nada se destaca. Por um lado isso contribui para dar foco quase total, um tanto teatral, às atuações, mas também mantém o filme em um mesmo plano, sem oscilações e por isso ele cai em uma obviedade por vezes entediante.
Dessa forma, por mais que a narrativa consiga engajar o expectador, por manter algum nível de imprevisibilidade, esteticamente o filme não traz nada de muito interessante para se observar. Talvez a exceção seja no momento em que Marta e Rodolfo, os personagens de Fernanda Montenegro e Ary Fontoura estão explicando o plano para o casal e a montagem mostra como o roubo vai se desenrolar na prática – bem clichê de filmes do gênero, com direito aos papéis pregados na parede ligados por fios, mas ainda é um momento envolvente e divertido.
Fato é que, se não fosse o elenco, seria um longa agradável, mas também completamente genérico. No entanto, ver tantos ícones do audiovisual brasileiro reunidos e muito felizes de estarem juntos dá um quentinho no coração, quase um Vingadores da teledramaturgia. Fico feliz que a despedida de Fernanda Montenegro das telonas tenha sido rodeada de amigos e família e de forma tão alegre.