A transição da adolescência para a vida adulta difere muito de pessoa para pessoa. Porém, um sentimento comum é uma mistura de angústia e esperança pelo futuro, e isso é captado de maneira eficiente pelas lentes de Pedro Geraldo, aqui em sua estreia na direção. A história acompanha a vida de Sofia, uma jovem estudante de 23 anos que acaba de ficar sem ter onde morar. Por um dia inteiro, ela transita entre os espaços da Universidade de São Paulo, encontra colegas, faz tatuagens, vai para festinha, dorme e sonha.
Os enquadramentos ou ressaltam a pequenez da moça nos espaços vazios do lugar, ou os detalhes de objetos e do corpo dela, nos colocando, como espectadores, dentro da mente e do mundinho da introspectiva Sofia. No entanto, pouco sabemos sobre o que aconteceu para ela chegar na situação em que ela se encontra e o foco fica nas sensações e lembranças difusas de um amor.
Apesar das escolhas da direção serem eficazes em criar incômodo e aflição, por muitas vezes também parecem criar enquadramentos inusitados apenas para ser diferente e não com o propósito de dizer alguma coisa. São muitas imagens de objetos, lugares vazios e partes do corpo e rosto, usados à exaustão. Entendo a intenção, novamente a questão angustiante, mas logo a repetição cansa.
Por outro lado é agradável a aproximação com quem já teve essa idade e passou por uma universidade também sem perspectiva do futuro. Traz uma ideia de comunidade, de que nenhuma experiência é individual e de que não se está sozinho. Na melhor cena do filme, em que Sofia conversa com outro morador da USP, esse sentimento é exposto e a conexão é imediata.