Com uma notável inspiração em histórias em quadrinhos, o mais novo longa da DreamWorks é uma adaptação do spin-off da série de livros infantis As Aventuras do Capitão Cueca. O universo do Homem-Cão no cinema, no entanto, funciona completamente separado da série original que possui um filme homônimo, de 2017, e uma série na Netflix.
O policial Knight e seu companheiro canino Greg sofrem um acidente em que o humano tem a cabeça inutilizada e o cachorrinho fica com o corpo destruído. Dessa forma, os cirurgiões decidem unir o corpo de um à cabeça do outro e dessa forma nasce o Homem-Cão. Ele logo se destaca na força policial prendendo várias vezes o vilão felino Petey, mas por outro lado está sozinho sem o antigo dono e a namorada. Enquanto isso, o gato malvado decide que precisa criar outro dele mesmo para juntos dominarem o mundo, mas o experimento dá errado quando o clone nasce criança fofinha e bondosa, o Lil’ Petey.
A animação extremamente frenética usa uma textura em 3D semelhante a bonecos de massinha, mas bastante tracejada, com a pintura parecendo feita de giz de cera, o que por sua vez difere dos personagens nos livros, que têm aquele traço chapado tradicional. Além disso, tem vários elementos que remetem a quadrinhos, em especial quando destaca os letreiros e as onomatopéias, como o uivo do cãozinho. Esses elementos deixam as cenas ininterruptas de ação bem criativas e cheias de estímulos visuais, uma tendência dentro dos filmes voltados para os pequenos.
Por outro lado, faltou um momento de respiro entre um combate e outro para conhecermos melhor os personagens, em especial o protagonista, e para absorver todas aquelas informações que passaram na tela (ou é velhice minha mesmo). O longa, ainda assim, consegue passar a mensagem central, de que não devemos tratar mal o próximo, e ainda complementar com quebra de trauma geracional. Ambas as temáticas estão muito presentes em filmes recentes de animação (os millennials com a terapia em dia).
Um ponto de destaque, que dessa vez vai contra a tendência atual, é a quase inexistência de piadas que referenciam memes, tecnologias ou comentários sobre acontecimentos recentes, que já nascem datadas. O humor é principalmente derivado dos absurdos das situações, como por exemplo um dos grandes malfeitores da cidade ser um peixe robô com telecinese, ou então o momento em que eles vão atropelar um carro cheio de abelhas (bees) e na verdade o veículo está lotado de letras B. Infelizmente esse tipo de comédia é um pouco prejudicado na tradução, visto que o filme é dublado, mas ainda assim a dublagem brasileira funciona bem o suficiente.
O Homem-Cão – que é mais cão do que homem – é uma história com tantos elementos malucos e fantasiosos que só poderia ter vindo das páginas dos quadrinhos mesmo. A velocidade do filme cansa um pouco, mas com uma duração de cerca de uma hora e meia não chega a atrapalhar a diversão. E também tem um final muito fofinho e levemente alegre, se é que você me entende.