Quatro anos depois do retorno e novo desaparecimento de Michael Myers — mostrado em Halloween (2018) e Halloween Kills (2021) — Laurie, que finalmente consegue se libertar de seu passado traumático, vive uma vida pacífica com sua neta Allyson. Contudo, quando um jovem é acusado de homicídio, a cidade retorna ao clima de medo e violência, conduzindo a um novo confronto contra o terror que aparentava ter acabado.

Depois de assistir todos os treze (!) filmes de Halloween — alguns mais de uma vez — fico incrédulo com o fato de ter sido possível fazer algo tão ruim após todos esses anos e tantas experiências péssimas.

Digo isso porque acho compreensível a “Thorn Trilogy” (composta pelo 4, 5 e 6) ser péssima. Era o fim dos anos 80 e o estúdio queria tirar o máximo que podia da franquia, como se fez com várias outras, e foi isso também que sacrificou Hallowen Ressurreição (2002). No caso de Halloween 2 (2009), de Rob Zombie (o único que ainda considero pior que o presente filme), foi um experimento fracassado de dar liberdade criativa e uma franquia consolidada nas mãos de um diretor incompetente.

Halloween Ends, porém, veio após dois bons filmes de David Gordon Green, e com a bagagem de tantos erros nessas décadas de franquia. Ademais, já não são mais os anos 80, e o slasher já não sofre com essa marca de ser um gênero de produções sem esforço só para atrair o público que gosta de um assassino mascarado.

Todavia, aparentemente não é bem assim. O terceiro e último filme da nova trilogia é uma das piores coisas que já surgiram num nicho cuja qualidade das obras já é bem baixa. Não serve como comédia involuntária, como ocorre com A Vingança de Michael Myers (1989), por exemplo, e nem como paródia assumida, que é o caso de Ressurreição (2002). A trilogia de Green é marcada por ser sombria, e termina com um conto patético de dramas insignificantes, descaracterização de personagens e uma dinâmica quase Batman e Robin entre o Michael e seu padawan.

É absurdamente ridículo e covarde negar um gênero tão direto como o slasher (o qual já havia sido explorado por Green de maneira excelente em Halloween Kills) em prol de uma dinâmica aparentemente melancólica, que usa da seriedade para encobrir sua impotência dramática.

Igualmente, é um pouco engraçado para mim como alguns críticos elogiam um “romantismo trágico” e um “intimismo”, quando não há nada nesse drama pessoal que não seja uma dinâmica de “olha somos ambos estranhos, vamos nos aproximar”, em que a Alysson é despojada de todo seu desenvolvimento e assume uma personalidade adolescente; e Corey (o garoto acusado de homicídio) é apenas sujeito de uma injustiça que ganha confiança após absorver os poderes do Michael Myers.

Qual é o romantismo nisso? Não há um sentimento, tampouco algo íntimo, mas apenas uma série vazia de acontecimentos, na qual é necessário reafirmar a todo momento os status de “assassino” e de “neta da Laurie Strode”, por ser a única coisa que une esses dois.

A narrativa percorre essa trama pela maioria de sua duração, em que o terror é negado em prol de quase duas horas de um episódio filler que parece uma fanfic de baixíssima qualidade. É bem difícil chegar ao final, mas pelo menos esse é interessante. Esses minutos finais são a única coisa que se salva em Halloween Ends: um Michael impotente sendo lentamente morto pela Laurie, e um fim definitivo, quase como um evento na cidade.

Assim, Halloween Ends é quase inexistente como terror, e absurdamente estéril como drama. Aposta em um apego a alguns personagens que sequer tiveram uma construção, e outros irreconhecíveis, para contar uma história vazia, que nem mesmo serve como condução ao bom final de Michael Myers.