Filmes Neo-Noir: Femme Fatales e Detetives Adaptados ao Cinema Moderno

Depois do grande auge do Cinema Noir, estilo cinematográfico esse muito popular na realização do cinema hollywoodiano nos anos 40 e 50 (que também possui uma lista aqui na revista), o controle absoluto dos estúdios levou a Hollywood clássica a uma queda de popularidade, juntamente dos estilos de realização dos velhos diretores já consolidados historicamente dentro da indústria.

Com isso, Hollywood decidiu entregar o controle criativo dos filmes ao jovens diretores que agora estavam em ascensão. Dentro das ideias desses novos diretores, estavam as influências desse clássico cinema noir, mas que agora era abordado, tanto esteticamente quanto narrativamente, de forma muito mais explícita, visceral e atual.

Não apenas nos EUA, o estilo agora caracterizado como Neo Noir se expandiu para vários cenários do cinema mundial nos anos subsequentes, principalmente na Nova Onda do Cinema Francês, com Jean-Luc Godard e outros jovens diretores da época replicando esses temas e visuais, mas de uma maneira muito mais autoral e independente.

01

Alphaville

Jean-Luc Godard
1965

O detetive Lemmy Caution é enviado à cidade de Alphaville para resgatar um agente desaparecido e confrontar o líder tirânico Professor Von Braun. Controlada por um supercomputador chamado Alpha 60, a cidade suprime emoções e liberdade em nome da lógica. Se a mise-en-scène de Godard costuma ser caótica, nada melhor que um mundo tão caótico quanto pra empregar isso; e o noir encaixa perfeitamente, ainda mais sendo distópico. Caos, sujeira, morte, destruição, premonição, trevas, filosofia, sociologia, espiões, sedução traição; com essa receita, Godard trabalha um mundo rendido à perdição, e submerso nas águas do noir.

02

Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita

Elio Petri
1970

Um comissário de policia reacionário, que possui uma fama de incorruptível, assassina sua amante, na intenção de testar a intuição investigativa de seu corpo de policiais, plantando pistas óbvias que o incriminam, observando que sua posição o torna um indivíduo acima de qualquer suspeita. Elio Petri subverte o thriller investigativo, transformando uma trama de assassinato em uma sátira acerca da hipocrisia da sociedade italiana e da corrupção presente no sistema de polícia, onde certos cidadãos privilegiados estão ausentes de quaisquer tipo de intimidação dos agentes da lei.

03

Chinatown

Roman Polanski
1974

O detetive Jake Gittes é contratado pela socialite Evelyn Cross para investigar uma suposta relação extra conjugal de seu rico e poderoso marido, onde um caso simples de traição se transforma no descobrimentos de uma gigantesca trama sombria entre os envolvidos, que mudará a percepção de mundo de Jake para sempre. O clássico de Roman Polanski é, até hoje, usado como um grande exemplo de construção de trama, onde a investigação de Jake e os segredos de Evelyn vão em uma constante de tensão e mistério que chega ao seu ápice no fim do filme.

04

Um Tiro na Noite

Brian De Palma
1981

Jack Terry, um técnico de som de filmes de baixo orçamento, acidentalmente grava evidências de um assassinato enquanto coleta efeitos sonoros. Quando ele descobre que a gravação revela uma conspiração política, Jack se vê envolvido em uma trama perigosa para descobrir a verdade, enquanto tenta proteger uma testemunha crucial. Brian De Palma conversa sobre fazer cinema enquanto faz cinema. A medida que Jack se encontra cada vez mais mergulhado em intrigas e mistérios, o longa vai se transformando em uma das obras que ele trabalha. Uma brincadeira com a forma e, ao mesmo tempo, uma maneira de reforçar a intensidade da jornada do protagonista. Exploração da paranoia e manipulação da verdade de um modo estiloso e tenso como só De Palma consegue.

05

Blade Runner

Ridley Scott
1982

Adaptação da obra de Philip K. Dick “Do Androids Dream of Electric Sheep?“, o longa de Ridley Scott narra a caça de Rick Deckard, um policial encarregado de exterminar os chamados replicantes, androides idênticos aos humanos, a um grupo desses replicantes fugitivos na futurística cidade de Los Angeles. O filme possui um visual cyberpunk que adere muito a cinematografia dos clássicos filmes noir, mas dessa vez adaptando esse visual para uma versão futurista, discutindo temas como o avanço desenfreado do capitalismo e a noção complexa sobre a humanidade daqueles que não são humanos.

06

A Cura

Kiyoshi Kurosawa
1997

Esse suspense de Kiyoshi Kurosawa – o maior nome do gênero no atual Japão – já começa com uma ideia inusitada. Um detetive veterano que investiga assassinatos seriados cometidos por diferentes algozes, esses que, por sinal, costumam ser encontrados próximos de suas vítimas. Porém, há um modus operandi claro, como se toda a brutalidade tivesse apenas uma mente responsável. O “jovem” Kurosawa conduz aqui um thriller que se aproxima muito de um filme de terror mesmo, no qual o detetive vivido por Koji Yakusho adentra cada vez mais em um jogo mental e psicológico como um possível novo alvo dessa “força” responsável pelas mortes.

07

Beijos e Tiros

Shane Black
2005

Os fãs da Marvel tem um motivo muito forte para agradecer ao diretor Shane Black e nada tem a ver com o fraco Homem de Ferro 3. Seu primeiro longa na cadeira de direção foi o responsável por trazer Robert Downey Jr. de volta ao estrelato como co-protagonista desse neo-noir aos moldes dos famosos filmes de buddy cop dos anos 1980. Caindo de paraquedas em uma trama de assassinatos e conspirações que usa de pano de fundo o cenário idealizado de Hollywood, um ladrão barato e sua crush dos tempos de colégio acabam se juntando a um detetive veterano nessa investigação que comanda a comédia do absurdo ao mesmo tempo que instiga em seu thriller. Dá uma dobradinha boa com Dois Caras Legais, também de Black.

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