O processo pós término de um relacionamento, por vezes, é comparado com as tais fases do luto: negação, raiva, negociação, tristeza e aceitação. Essa, talvez, seja a forma reduzida em que os 13 sentimentos do título podem ser colocados, pois combinam perfeitamente com a jornada de João, protagonista do longa-metragem. Após dez anos do lançamento do ótimo Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), o diretor Daniel Ribeiro volta ao formato, depois do fim de um relacionamento amoroso, e coloca suas ideias, experiências e superação em 13 Sentimentos, filme que chega aos cinemas um dia depois do Dia dos Namorados.

Diferentemente do romance adolescente, aqui João (Artur Volpi) é um adulto de 32 anos, roteirista e editor de filmes, que terminou amigavelmente um relacionamento longo. De início diz para os amigos, Chico e Maria, que está tudo bem e que ele já está conhecendo pessoas novas, no entanto, João ainda não se sente preparado nem para a casualidade dos encontros e nem para se apaixonar novamente. Logo, o típico “millennial” começa a criar fantasias na cabeça e nos roteiros, em que se imagina namorando alguns dos interesses românticos que aparecem pelo caminho.

A metalinguagem é grande parte do interesse visual do filme e cria várias situações divertidas com os amantes fictícios de João, assim como o uso de repetição para ressaltar a estagnação do personagem. O grande destaque fica a cargo dos amigos, interpretados pela cativante Julianna Gerais e o formidável Marcos Oli, que possuem uma sintonia muito natural entre eles e protagonizam os momentos mais engraçados.

A química do protagonista com todos os interesses amorosos é até que tangível, o que provoca uma curiosidade sobre com quem ele vai ficar no final (isso caso ele não termine sozinho), pois as possibilidades são bem plausíveis. Os candidatos têm várias qualidades que combinam com o João, ao mesmo tempo que ele é um personagem irritante o suficiente para que nenhum deles queira namorar ele (me pergunto se o diretor é tão intragável na vida real quanto o protagonista).

Todavia, é cansativa a escolha da direção em focar em diálogos loquazes e muito explicativos, principalmente quando envolvem o protagonista, que é um ator um pouco mais retraído do que os outros. O texto prolixo é mais notável ainda visto que as partes introspectivas são de uma sensibilidade enorme e deixam claras as emoções, por outro lado, também quando opta por explicar excessivamente a trama principal e abandona outras subtramas interessantes, como a nova profissão de João (videomaker de pornô amador).

Apesar do protagonista mais insuportável de todos os filmes queer brasileiros já feitos, ainda tem momentos divertidos, principalmente com os amigos e também trá a reflexão sobre como lidar com perdas, seguindo em frente de uma forma leve e com bastante “pegação”.