Toy Story 5 mantém uma das maiores virtudes históricas da franquia, que é a capacidade de tornar a antropomorfização dos objetos algo simultaneamente divertido, afetuoso e dramaticamente funcional. Como praticamente todos os filmes da série, a sessão é extremamente prazerosa, ainda que seja sentida a falta de um novo personagem-boneco realmente marcante como foi Garfinho em Toy Story 4 (Cooley, 2019) e que se destaque, além de diversos personagens antigos serem negligenciados a presenças praticamente nulas. O que torna a experiência mais curiosa, porém, é que talvez esta seja uma das premissas mais interessantes já propostas pela franquia recente: a relação da infância contemporânea com o excesso de telas e a substituição progressiva da brincadeira física pela mediação digital.

O problema é que Toy Story 5 parece gradualmente perder a confiança na própria premissa. O que começa como uma investigação potencialmente muito rica sobre o lugar dos brinquedos em uma geração moldada por tablets, celulares e estímulos digitais, acaba sendo progressivamente simplificado em direção a uma estrutura mais convencional de busca e reencontro entre os personagens que estavam separados geograficamente. Existe pouco enfrentamento efetivo do problema inicialmente proposto, e a narrativa acaba optando por uma via conciliatória relativamente fácil, como se o filme hesitasse em levar às últimas consequências a questão que ele próprio levanta.

A solução dramática apresentada por Toy Story 5 acaba sendo essencialmente individual: uma criança encontrar outra capaz de restaurar o desejo de brincar que também não ligue para telas. Mas sinceramente esta resolução me parece um pouco uma forma de enxugar gelo. O filme não me convence de que, uma semana depois dos acontecimentos narrados, a protagonista não retornaria naturalmente ao iPad. Talvez falte justamente uma maior disposição de transformar as telas em um verdadeiro antagonista, sem medo de construir uma vilanização mais frontal deste universo. Na ausência de algo concreto a ser enfrentado, a narrativa acaba ficando sem um eixo dramático muito claro, transformando-se progressivamente numa história de personagens procurando uns aos outros em núcleos familiares separados.

E não se trata de exigir de Toy Story 5 uma complexidade incompatível com a proposta da franquia. Toy Story 4 demonstrava como era possível trabalhar questões existenciais e filosóficas bastante refinadas dentro deste universo. Aqui, ao contrário, a sensação é de que o filme opta constantemente pelo caminho mais simples. A fragmentação em múltiplos núcleos também não ajuda, e toda a trama envolvendo a multiplicação dos Buzz acaba funcionando como uma espécie de beco sem saída dramático, ocupando um tempo precioso que poderia ter sido investido justamente no desenvolvimento do conflito central.

No fim, permanece a sensação de que Toy Story 5 levanta uma das questões mais contemporâneas e potencialmente provocativas de toda a franquia, mas não demonstra interesse suficiente em confrontá-la. O filme não chega exatamente a cortar a bola que ele mesmo levantou, mas certamente deixa de acompanhar suas consequências mais interessantes antes que elas possam realmente transformar a