Se tem um típico subgênero cinematográfico que dá muita preguiça são os “filmes de Natal”: por serem, em sua grande maioria, o mesmo tipo de filme. É a história de uma mocinha que perde o emprego, conhece um cara, os dois se apaixonam e, pouco a pouco, ela vai compreendendo o verdadeiro sentido do Natal. Esse e outros exemplos de plots genéricos de filmes natalinos sempre deixam certos públicos com um pé atrás, porque são feitos só para cumprir tabela.

Mas o grande demérito desses filmes não está na trama em si, mas sim na execução. É aí que Os Rejeitados faz a diferença ao pegar o clichê “caras que se odeiam e, no decorrer do filme, se aproximam, até virarem amigos no final” e estruturá-lo de forma bem descontraída e madura. Trata-se de um filme de Natal onde o Natal fica em segundo plano, para focar nas relações humanas.

O filme começa retratando os personagens sob uma perspectiva um tanto quanto conservadora, típica de certos filmes natalinos como A Felicidade Não Se Compra (Capra, 1946), que carregam uma abordagem mais tradicionalista. Mas, pouco a pouco, o filme quebra essa abordagem e abrange temas dramáticos como luto, ausência familiar e insegurança.

O filme, no entanto, não força esses momentos goela abaixo, dando espaço também para um lado cômico que consegue segurar o entretenimento. Equilibrar drama e comédia ainda é uma tarefa difícil quando não há consciência narrativa. Os atores também são uma contribuição forte para o equilíbrio entre o drama e a comédia. Temos o Paul Giamatti, que comanda boa parte dos momentos cômicos, e Dominic Sessa, que comanda os momentos dramáticos junto com Da’Vine Joy Randolph. Estes dois personagens têm em comum o drama familiar de perder um ente querido, e vão se conectando ao professor.

É interessante como o filme começa mostrando os protagonistas de forma estereotipada: o professor ranzinza e o aluno revoltado e estes são estereótipos que ocupam, de certa forma, aspectos da comédia do filme; porém o drama vai sendo esticado lentamente para que os personagens abandonem o estereótipo e se mostrem cada vez mais humanos e empáticos. Os dois protagonistas encerram sua jornada com um aperto de mão extremamente forte, caloroso e satisfatório.