Um filme com estética de série de TV dos anos 2010 e história dos anos 1980. Operação Vingança traz Rami Malek (de Mr. Robot) novamente como um gênio da tecnologia que desafia o “sistema”, aqui representado pela CIA. O protagonista, que trabalha com criptografia na agência, se depara com documentos secretos que incriminam pessoas da instituição. No entanto, o foco principal de Charlie Heller (Malek) será vingar a morte da esposa, assassinada em um ataque terrorista em Londres.

O longa é baseado no romance The Amateur, escrito em 1981 (que também originou um filme no mesmo ano), por Robert Littell. O autor fez parte da marinha estadunidense e foi jornalista e correspondente internacional no auge da Guerra Fria. Ressalto essas informações, pois, a primeira impressão que o filme me passou foi de história antiquada — então, quer dizer que, estamos novamente acompanhando um homem que perdeu a esposa de forma violenta, buscando vingança e indo contra um militar chefão da CIA? Sem contar os terroristas sem nacionalidade que cometem crimes sem propósito, ou o espião do leste europeu, que não pode ser identificado, enviando informações sobre o envolvimento dos Estados Unidos em operações secretas, que matam milhares de civis em outros países. Mas sempre é só um caso isolado, é só culpa de uma única pessoa dentro de uma central de inteligência que desconhece as ações de seus funcionários.

Talvez a diferença desse para a maior parte dos filmes com essa exata premissa seja que o personagem dessa vez é um franzino “cara da TI”, e não o herói de ação especialista em armas que sabe várias línguas e seduz umas garotas pelo caminho. Entretanto, não se engane, pois a arma dele é a inteligência, e assim ele vai passeando por cidades europeias e cometendo crimes sem o menor problema, como um herói de ação. Porém, a direção pouco inspirada se atém ao básico para deixá-lo minimamente descolado, especialmente na cena da piscina e na explosão, ao mesmo tempo que parece um seriado dos anos 2010 (ex: a cor azulada, planos mais fechados e centralizados, câmera na mão durante a ação).

É um pouco triste que em pleno 2025, com a situação política global que vemos nas notícias, um filme com essa história clichê de mais de 40 anos atrás seja o escolhido para passar nos cinemas mundiais. Veja bem, não é um filme ruim em si, mas quantas vezes não vimos a morte da esposa (e aqui um desperdício do talento da ótima Rachel Brosnahan) como catalisador de uma vingança? Ou então os hackers, que conseguem hackear desde câmeras e relógios até barcos, tudo com um único celular e internet de hotel? Ou um homem sozinho desafiando o “sistema”, que se resolve quando um único homem é detido? — afinal são apenas alguns ovos podres na querida CIA.

De vez em quando aparece um filme de ação com essa premissa que muda alguns detalhes aqui e ali, apresenta novas ideias não só para a história, mas principalmente à forma; como por exemplo a saga John Wick (Stahelski, 2014 – 2023). Mas são exceções. Operação Vingança faz parte da regra de thrillers de ação com narrativas requentadas da Guerra Fria, repetindo formatos já estabelecidos no gênero. Ele faz direito o que se propõe, mas a proposta é vazia. Por mais que os atores tentem dar mais gravidade e emoção a seus personagens — destaco aqui a personagem da Caitriona Balfe —, o resultado não poderia ser mais genérico. Funciona como um entretenimento “sessão da tarde”, mas se perde entre tantos outros similares.