New Queer Cinema: A Vanguarda LGBTQIAPN+ no Final do Milênio

O Novo Cinema Queer é um movimento de filmes independentes que redefiniu a representação das identidades LGBT+ ao rejeitar a busca por imagens positivas e higienizadas, adotando protagonistas marginalizados e uma estética irreverente, irônica e de pastiche batizada de “Homo Pomo”.

O termo foi cunhado por B. Ruby Rich no ano de 1992, em publicações para a Sight and Sound e The Village Voice, para agrupar uma tendência dos festivais da época. O movimento surgiu como uma resposta à letalidade da epidemia de AIDS e à inércia de governos conservadores na década de 1980, sendo impulsionado pelo crescimento de grupos ativistas de ação direta e pelo acesso a tecnologias de vídeo.

Aos poucos, a atitude subversiva e anti-hegemônica da nova onda internacionalizou-se, ganhando contornos transnacionais próprios em obras da Europa, Ásia, Oceania e América Latina. Na atualidade, embora sua fase revolucionária tenha sido parcialmente domesticada pelo grande mercado, seu inegável legado perdura na popularização de narrativas fluidas no cinema comercial e na recente emergência de um Novo Cinema Transsexual.

01

Línguas Desatadas

Marlon Riggs
1989

Uma mistura de relatos pessoais, poesia e música, o filme tem como proposta dar voz à experiência gay negra, ressaltando a intersecção entre racismo e homofobia que isola essas pessoas – sendo rejeitados por heterossexuais e fetichizados pelos brancos gays. Além disso, ressalta o apagamento dos mortos pela AIDS e é uma chamada para a união de todas as pessoas ao mesmo tempo negras e queer, como já ocorria no ballroom.

02

Paris Is Burning

Jennie Livingston
1990

O documentário seminal sobre a cultura do ballroom e seu caráter originalmente periférico, de pessoas não brancas e queer, faz um retrato íntimo das pessoas que encontram refúgio e família naquele espaço, além de um local seguro para a expressão artística. O filme tem um olhar sensível, mas não deixa de tocar em assuntos pertinentes da comunidade que são considerados tabu, como a prostituição e a AIDS.

03

Garotos de Programa

Gus Van Sant
1991

Dois amigos garotos de programa saem em uma viagem para encontrar a mãe de um deles. As vidas de ambos, porém, são bem diferentes, visto que Mike precisa do dinheiro do trabalho para viver e Scott está prestes a receber uma robusta herança. A abordagem, apesar de agridoce e melancólica, especialmente na busca de um amor materno que talvez não exista, é tratada de forma empática e evidencia o abandono desses jovens.

04

Eduardo II

Derek Jarman
1991

Uma reimaginação anacrônica da peça homônima de Christopher Marlowe sobre o infame Rei Eduardo II, que não estava interessado em governar, pois sua atenção era toda de seu amante Piers Gaveston. Com um estilo minimalista e teatral, Derek Jarman constrói um paralelo entre o rei medieval e a perseguição contra homossexuais do presente, inclusive transformando o exército real em ativistas pelos direitos da comunidade LGBT+.

05

Viver Até o Fim

Gregg Araki
1992

Luke é um rapaz portador de HIV que vive uma vida hedonista, praticando crimes e aproveitando o tempo que ainda tem no planeta. Ele entra de forma abrupta e impetuosa na vida de Jon, que também é portador do vírus, mas vive deprimido em seu apartamento. Ambos acabam em um relacionamento intenso e partem em uma viagem maluca pelos Estados Unidos para fugir da polícia que está atrás de Luke.

06

The Watermelon Woman

Cheryl Dunye
1996

Considerado o primeiro longa feito por uma mulher negra e lésbica, o filme acompanha Cheryl pesquisando a vida da atriz Fae Richards, uma mulher negra e lésbica que trabalhou durante a década de 1930 fazendo papéis de “mammy” e era conhecida como a “Mulher Melancia”. A personagem é fictícia, mas funciona como um amálgama de todas as pessoas que tiveram suas identidades e sexualidades apagadas.

07

Felizes Juntos

Wong Kar-Wai
1997

Entre muitas idas e vindas, o casal Ho Po-Wing and Lai Yiu-Fai viaja para a América do Sul. Porém, no caminho para as Cataratas do Iguaçu, eles ficam sem dinheiro para voltar para Hong Kong e precisam trabalhar em Buenos Aires para conseguir voltar para casa. A fotografia marcante de Christopher Doyle cria a atmosfera perfeita, onde imperam o desejo e a saudade, para a trama sobre uma intimidade perdida.

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