Inicialmente, posso começar dizendo que esse filme é muito clássico em sua abordagem, tanto em sua construção melodramática quanto em sua montagem estética, sendo esses dois elementos as duas matrizes narrativas que dão ao longa um brilho que vai além de uma simples cinebiografia. Uma ótica que adere ao íntimo de seus personagens, não para exaltar uma figura tão famosa quanto controversa (a base da maior parte dos filmes do gênero nos últimos anos), ou mostrar uma trajetória árdua de uma grande personalidade. O diretor Sean Durkin propõe uma aproximação de seus acontecimentos, um redemoinho de emoções que adere a suas características melodramáticas.

A dinâmica familiar da família Von Erich parece não conter lacunas, os irmãos aparentemente disputam a atenção do pai de maneira saudável, buscando realizar seu sonho inalcançado, tudo isso somado à uma masculinidade exacerbada que supostamente se torna algo glamoroso de forma inicial, apesar dela se revelar como o estopim das subsequentes tragédias. Como se refletisse um paralelo com as encenações das lutas do vale tudo, essa predestinação dos irmãos continuamente definha suas mentes, sucumbindo as obrigações físicas e emocionais que a suposta masculinidade saudável impõe. Isso tudo sendo potencializado pela brilhante performance de Zac Efron, uma persona dividida entre sua masculinidade enrustida e seu sofrimento interno.

Apesar de todo o drama ser desenvolvido em torno das progressivas mortes entre os familiares, essas mesmas acontecem longe do alcance da câmera, um detalhe que poderia facilmente arruinar sua dramaticidade, acaba por intensificar as características intrínsecas de seus personagens. O foco da lente de Durkin se encontra direcionado para a alma dos irmãos Von Erich, sobre como eles decaem perante si mesmos e como essas tragédias afetam o psicológico de todos em volta, a encenação das mortes fica de lado em prol de uma potencialização desses elementos que fazem o longa ser tão emocionante. Uma família que desmorona pelos caprichos abusivos de um pai frustrado, mesmo quando esse ciclo de morte continua, a necessidade crônica de um objetivo de glória e conquista não se desintegra, apenas continua em ruína.

“Um homem não deve chorar”

A frase final do personagem de Zac Efron resume perfeitamente tudo o que o filme representa, apesar de todos os seus traumas, Kevin ainda mantém sua postura, ou pelo menos tenta, pois essas palavras são ditas com lágrimas caindo. Um homem pode ter o dever de não chorar, mas isso não significa que ele não vá.