Downton Abbey é uma série inglesa de muito sucesso com seis temporadas exibidas de 2010 a 2015 pelo canal ITV que gerou mais dois filmes, lançados em 2019 e 2022 e agora termina sua história com o terceiro filme: Downton Abbey: O Grande Final. Assim como os outros dois longas, este continua a história partindo do pressuposto que o espectador assistiu tudo o que foi criado até aqui. O showrunner da série e roteirista de todas as continuações, Julian Fellows, também retorna, bem como todo o elenco principal, o que contribui muito para manter a mesma qualidade e continuidade da trama.
A história do seriado começa em 1912 e a partir daí acompanhamos a família Crawley administrando sua propriedade, Downton Abbey, durante diversos eventos históricos do início do século XX, adaptando-se às mudanças culturais da sociedade enquanto vive o declínio da aristocracia britânica. Com isso é notável a evolução da narrativa, que consegue permanecer coerente com os acontecimentos, mas também mantendo o tema principal que é a união deste grupo de pessoas frente às adversidades, sejam elas grandes como epidemias e guerras, ou minúsculas como etiquetas sociais.
Neste final, já entramos na década de 1930 e os Crawleys têm que lidar com dívidas, golpistas e um escândalo de divórcio na família. Enquanto isso, os funcionários (que também são parte importante da narrativa da série) também se renovam, com vários deles se aposentando e dando lugar para uma equipe reduzida e mais jovem na administração da casa de campo. A diferença entre a sociedade mais conservadora da aristocracia do Reino Unido para a pequena burguesia estadunidense liberal também é presente novamente na história, com os americanos ajudando os Crawleys a evitar o ostracismo pós escândalo.
Da mesma maneira dos longas anteriores, este também é filmado como um episódio especial da série, com conflitos próprios a serem resolvidos mas seguindo a evolução natural da trama. No entanto, há de fato uma discussão sobre “fim de uma era” e o legado deixado por ela dentro da narrativa, que é quase uma metalinguagem sobre o final definitivo do seriado aliado questões dentro da trama como a herança dos Crawley. Além disso, há tanto a lembrança dos personagens que morreram, como uma homenagem à falecida atriz Maggie Smith, que fazia o papel da matriarca da família, a Condessa Viúva de Grantham, Violet Crawley.
Dessa forma, Downton Abbey: O Grande Final é um filme feito totalmente para os fãs que encerra muito bem uma narrativa, talvez impecável, iniciada com a série. Pode parecer estranha, por outro lado, a estreia deste nos cinemas, visto que é tão atrelado a uma obra feita para a TV, mas isso só é uma questão para quem não viu o faturamento dos outros dois filmes, que também tiveram lançamento no cinema. São poucos os seriados que conseguem manter o mesmo padrão de qualidade de produção e narrativa, o mesmo showrunner e até um elenco grande como esse por tantos anos e com isso Downton Abbey se despede em grande estilo deixando um importante legado. Quem sabe não será seguido também pela mais recente série de Julian Fellows, The Gilded Age.