Dizem que atores que foram protagonistas da saga Star Wars têm uma “maldição” de não conseguirem reconhecimento após os filmes, sendo notórios os casos de Mark Hammil e Hayden Christensen. A atriz britânica Daisy Ridley (protagonista da última trilogia de Star Wars), no entanto, parece buscar um caminho alternativo no cinema independente, como é o caso de Às Vezes Quero Sumir.
Aqui, ela interpreta Fran, uma jovem reclusa que trabalha em um escritório e vive de forma pacata, ocasionalmente imaginando como seria se ela apenas morresse. Daisy faz um papel excelente sendo desajeitada, tímida e obtusa, bem diferente da protagonista dos filmes de ação. A inércia de Fran será quebrada por um novo colega de trabalho, que consegue furar a bolha e despertar curiosidade nela, criando uma conexão entre eles.
A diretora Rachel Lambert utiliza diversos recursos para exaltar a solidão e o isolamento da personagem, como a paleta de cor acinzentada, os enquadramentos blocados, desfocados e deslocando a personagem para as margens ou para o fundo da tela. Também gosta de brincar com planos fechados em rostos, objetos e comidas, mostrando detalhes mundanos da vida da personagem. Esses recursos funcionam para não deixar o filme esteticamente chato, porém, parecem com outros tantos filmes que tentam romper com o clássico e acabam caindo em novos clichês de filmes independentes. Em um momento, por exemplo, toca uma música fofinha e esperançosa de Branca de Neve, totalmente deslocada, mas que talvez indique que tudo vai ficar bem com a nossa heroína.
Baseado em uma peça de teatro e em um curta de 2019, a história provavelmente funciona melhor nesses formatos do que como longa, pois não tem muito desenvolvimento nos personagens. Terminamos sem saber direito o porquê do título do filme, e com isso muito pouco sobre a Fran ou qualquer outro dos colegas de trabalho, o que nos distancia da narrativa, apesar de ter uma premissa que casa muito bem com as demandas e os anseios da classe trabalhadora.
Outro filme que tem a mesma premissa, da trabalhadora solitária confrontada com a ideia de morte, é o coreano Aloners (Hong, 2021). Mas, diferente de Às Vezes Quero Sumir, neste sabemos os motivos da escolha da personagem em se isolar e ser a melhor em sua profissão, bem como o porquê de ela buscar conexão quando também é abordada por uma nova colega de trabalho. Existe um potencial no filme e fico curiosa para ver novos trabalhos da diretora, mas por enquanto são boas ideias bem embaladinhas em lugar comum.