Em 1972, 16 jovens uruguaios foram resgatados após 72 dias perdidos na Cordilheira dos Andes, vítimas de um acidente aéreo que tomou a vida de outras 29 pessoas. Os passageiros do avião faziam parte de uma equipe de rugby, que viajava para uma partida no Chile, além de alguns parentes e da tripulação. A história de sobrevivência foi considerada um verdadeiro milagre e ganhou notoriedade ao longo dos anos.

A partir do livro de um dos sobreviventes, Fernando Parrado, o diretor J.A Bayona escolheu contar essa história da maneira mais autêntica possível e utilizando de todos os recursos possíveis para atingir este objetivo: sempre prezando pela verossimilhança quanto a reconstrução de época e principalmente pelo respeito ao papel de todos os passageiros do Força Aérea Uruguaia 571 tiveram para a sobrevivência dos 16 que foram resgatados.

O trabalho da produção é, de fato, muito impressionante, recriando os cenários, objetos, vestimentas, a partir das imagens reais recuperadas do acidente. O longa também foi filmado nas montanhas, no próprio local, e com a escolha de atores desconhecidos, muitos deles em seu primeiro trabalho, para retratar de maneira fidedigna os personagens reais. Alguns dos sobreviventes também participam do longa, tanto como consulta quanto na frente das telas.

No entanto, o grande acerto da direção, para mim, foi acompanhar o ponto de vista de um narrador que não participa de algumas ações, mas que nos coloca como parte daquele grupo e levanta questões sobre o futuro. Por vezes, pode parecer piegas, mas eu acredito que as proposições desta narração são pertinentes à situação: será que a gente não iria ficar divagando se estivesse perdida no meio do nada e sem saber se iria sair dali?

A sensação de imensidão, isolamento e ao mesmo tempo claustrofobia é constante, mas o foco da trama é no esforço coletivo e como cada um tem o seu momento de contribuição no grupo. Não há um ou dois heróis, é um milagre construído por todos ali. No mais, A Sociedade da Neve é um filme bonito, emocionante, respeitoso e com algumas cenas desesperadoras, de quase literalmente de tirar o fôlego.