Como fã dos quadrinhos de Maurício de Sousa, estou animada com o novo MCU (Mônica Cinematic Universe) que está sendo criado. A mesma equipe de produção dos maravilhosos Turma da Mônica: Laços e Turma da Mônica: Lições volta para contar esta história em que a turminha da Rua do Limoeiro sai de cena e conhecemos a Vila Abobrinha, terra de Chico Bento e seus amigos. Lá, nosso menino caipira favorito, interpretado pelo fofo Isaac Amendoim, narra os acontecimentos de sua vida: desde quando estava na barriga da mãe até a missão de salvar a goiabeira que foi plantada por engano no quintal do Nhô Lau (Luis Lobianco) na ocasião de seu nascimento.

A narrativa tem semelhanças estruturais com o Turma da Mônica: Laços, na medida em que o grupo de crianças é unido em uma aventura que envolve investigação, planos infalíveis e salvar algo que é muito querido pelo protagonista. Tudo isso com a inocência e as estripulias da infância, bem como o aprendizado sobre a importância da amizade (em Laços elucidado pelo Louco e aqui pela personificação da própria goiabeira, interpretada por Taís Araújo).

No entanto, em Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa, os assuntos “dos adultos” influenciam a história já de início, quando é anunciado que a árvore terá que ser derrubada para a passagem de uma estrada asfaltada, e em seguida quando os moradores da vila concordam com a construção. Por isso, a fofura e a ludicidade do filme ficam um pouco fora de tom quando tocam em  questões como a ganância burguesa, a urbanização e exploração da área rural, centradas no vilão adulto do filme, o Dotô Agripino (Augusto Madeira). Além da aceitação alienada dos pais da turminha do Chico Bento, que mira na comédia mas beira o ofensivo.

É possível que a falta de um material base, como os quadrinhos da Graphic MSP de Lu e Vitor Cafaggi, que foram adaptados nos longas da Turma da Mônica, tenha contribuído para deixar a narrativa um tanto truncada. Por outro lado, a direção de Fernando Fraiha mantém a qualidade que Daniel Rezende trouxe para os outros filmes, especialmente quando ressalta as belas paisagens do campo e quando trata a goiaba como a fruta mais desejada e deliciosa possível pelos olhos do Chico.

De modo geral, parece que é um filme feito para crianças um pouco mais novinhas do que os da Turma da Mônica, mas deve agradar também os adultos, especialmente quem já tem um apego aos personagens das histórias em quadrinhos. Chico Bento e seus amigos estão muito bem representados, assim como conflitos, brincadeiras e recompensas de uma infância em liberdade.