Noberu Bagu: A Nova Onda do Cinema Japonês dos Anos 60

A Nova Onda Japonesa, conhecida também pelo termo em japonês Nūberu Bāgu, que é uma transliteração do termo “Nouvelle Vague”, da França. Nessa tendência do cinema nipônico, agruparam-se uma série de filmes e autores que possuíam certa conexão e que, em suas obras, desafiaram as práticas e estilos do fazer cinematográfico das décadas anteriores.

Entre o final da década de 50 e a primeira metade da de 70, despenderam-se grandes esforços para a consolidação desse cinema moderno, com práticas que influenciam as manifestações artísticas até os dias de hoje.

01

A Mulher na Areia

Hiroshi Teshigahara
1964

O entomologista Okada viaja até uma região rural e remota do Japão para coletar e estudar besouros e outros tipos de insetos naturais de solos arenosos, e após perder o último ônibus de volta para a cidade, ele é convidado por um dos moradores do vilarejo a se abrigar na casa de uma viúva, localizada em um buraco de uma das dunas, isso sem saber que acabaria caindo em uma armadilha doentia. O longa de Teshigahara usa seu jogo de luzes e câmera para criar uma ambientação agoniante e aflitivo, abordando a relação entre o ser humano e sua submissão ao trabalho, resultando na falta de liberdade do ser.

02

Onibaba

Kaneto Shindō
1964

Onibaba, escrito e dirigido por Kaneto Shindō, conta a história de uma mulher cuja nora começa a ter um caso com um morador das redondezas do local. Isso a faz colocar uma máscara de samurai para assustar a ex-esposa de seu filho, e daí surge a monstruosidade. Como de costume nas obras na Noberu Bagu, o sexo se faz presente. Todavia, aqui, ele encarna o medo e a culpa: o sexo e a sexualidade é a marca da morte e do peso feminino.

03

A Mulher do Lago

Yoshishige Yoshida
1966

Miyako tem um casamento confortável e é mãe de dois filhos, ainda assim, ela mantém uma relação extraconjugal com Kitano, um homem noivo. Quando Miyako tem algumas fotos eróticas suas, tiradas por Kitano, roubadas por um homem misterioso, ela se envolve em uma trama de obsessão e manipulação que pode por sua vida perfeita em risco. O filme explora muito a perversão do olhar masculino na perspectiva do cinema, como o prazer em observar pode levar a mente uma a atos abomináveis, isso com planos deslumbrantes proporcionados pela direção de Yoshida.

04

O Funeral das Rosas

Toshio Matsumoto
1969

Bara no Sōretsu, ou O Funeral das Rosas como conhecido no Brasil, é um filme de Toshio Matsumoto lançado em setembro de 1969, adaptação da peça grega clássica Édipo Rei, de Sófocles. Ambientado no meio das subculturas underground do Japão de 60, o longa de Matsumoto se desenrola entre dois dos grandes éthos da Noberu Bagu japonesa: o fatalismo e a excitação.

05

O Homem que Deixou Seu Testamento no Filme

Nagisa Ōshima
1970

Dirigido por Nagisa Ōshima e roteirizado pelo diretor em conjunto com Tsutomu Tamura, Masato Hara e Mamoru Sasaki, O Homem que Deixou Seu Testamente em Filme (Tokyo senso senyo hiwa) começa acompanhando um rapaz, membro de um grupo de militantes estudantis, que, enquanto perseguido pela polícia, filma seus últimos momentos antes da morte. Aqui, o cinema encontra a política, ainda que não fale diretamente dela. O fatalismo, a morte – e mesmo os suspiros de esperança – são reflexos de um desgaste da luta política no Japão. Uma luta que, de fato, viria a perder forças nos anos seguintes com o incidente de Asama-Sansou

06

Joguem Fora Seus Livros e Saiam às Ruas

Shūji Terayama
1971

Joguem Fora Seus Livros e Saiam às Ruas é um filme do lendário diretor avant-garde Shuji Terayama, que conta a história de um adolescente sem nome que se envolve em uma série de conflitos pessoais. O período de transição e descobrimento se inicia quando ele perde a virgindade e, daí em diante, as discussões do longa explodem sem cessar. Na verdade, desde o começo é claro: a discussão política é peça fundamental, evidenciada unicamente pela imagem.

07

Êxtase dos Anjos

Kōji Wakamatsu
1972

Tenshi no Kōkotsu, ou, como localizado no Brasil, Êxtase dos Anjos, foi um filme dirigido por Kōji Wakamatsu e roteirizado por Izuru Deguchi. Produzido por um estúdio independente, o longa conta a história de um grupo de militantes de esquerda que iniciam uma série de conflitos internos devido a traições. A anarquia da encenação se desdobra entre a forte violência e a excitação intrínseca aos acontecimentos.

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