Nouvelle Vague Tcheca: Cinema e Contracultura na Tchecoslováquia

A Nouvelle Vague tcheca foi um movimento cultural da década de 1960 na Tchecoslováquia – parte de uma ebulição popular que culminaria nos protestos da Primavera de Praga, em 1968 – como uma busca de maior liberdade artística e crítica ao regime de censura estabelecido pelo governo socialista da época

A nova geração de cineastas queria escancarar a hipocrisia das imposições governamentais, enquanto também experimentava com novas linguagens cinematográficas. Havia um desejo de explorar temas existenciais e emocionais que não condiziam com o realismo coletivo promovido pelo governo.

Como o nome denuncia, o movimento foi inspirado também na Nouvelle Vague francesa e no Neorrealismo italiano, nas temáticas políticas, nas performances naturais e nas novas formas de criação. Porém, com uma sensibilidade visual que pendia para um lado mais absurdo e subversivo, criando assim um estilo distinto de seus predecessores.

Apesar do reconhecimento internacional, alguns diretores, como Milos Forman, foram exilados e filmes do período foram censurados ou banidos, sendo recuperados apenas após o fim do regime, em 1989.

01

Um Dia, Um Gato

Vojtěch Jasný
1963

Uma fábula conta a história de um gato mágico que pode revelar a verdadeira natureza das pessoas por meio de quatro cores: vermelho (apaixonados e verdadeiros), roxo (mentirosos e hipócritas), cinza (ladrões desonestos) e amarelo (traidores e covardes). Quando o conto torna-se realidade numa cidadezinha, um professor, com ajuda das crianças, terá que impedir que a população revoltada mate o seu gato.

02

Diamantes da Noite

Jan Němec
1964

Baseado na história real de um escritor sobrevivente do Holocausto, o filme acompanha dois meninos que conseguem fugir de um trem que os levaria para um campo de concentração nazista. O que se segue é uma mistura do real com as alucinações, a imaginação, as lembranças e os desejos dos meninos enquanto eles se escondem em uma floresta e procuram comida em um vilarejo.

03

As Pequenas Margaridas

Věra Chytilová
1966

Obra experimental que atravessa diversos gêneros e linguagens, o longa acompanha duas jovens, ambas chamadas Marie, que chegam à conclusão de que, se o mundo está “podre”, elas também podem se comportar de maneira podre. Daí, passam a desafiar todas as convenções sociais estabelecidas pelo patriarcado, desenhando uma crítica à sociedade de consumo e à hipocrisia moral, onde mulheres não são submissas, mas sim caóticas.

04

Marketa Lazarová

František Vláčil
1967

Amplamente considerado um dos grandes trabalhos da sétima arte, como também o maior filme já produzido na Tchecoslováquia, Marketa Lazarová se passa no Reino da Boêmia durante o século XIII, época em que o cristianismo crescia como fé e gradualmente foi substituindo o paganismo no leste europeu. Diferentemente dos épicos de Hollywood, Vlácil representa o mundo medieval de maneira crua e suja.

05

O Baile dos Bombeiros

Miloš Forman
1967

Baseado em uma fracassada festa real, o longa usa atores não profissionais (incluindo alguns presentes no evento) para fazer uma crítica ao sistema da época, no qual a proposta socialista tornou-se um Estado burocrático e ineficiente. Apesar de o comentário político não ser tão ácido, foi o suficiente para o filme ser banido do país após seu lançamento comercial, tornando-se um exemplar da Nouvelle Vague tcheca se constituindo como contracultura.

06

O Cremador

Juraj Herz
1968

O filme retrata a espiral de insanidade do dono de um crematório, que sucumbe a ideais nazistas em uma Tchecoslováquia prestes a ser tomada pelo partido. Com a crença budista de que, ao cremar as pessoas, está liberando-as para a reencarnação e o incentivo de um antigo soldado alemão, ele também decide “liberar” sua família judia. O longa não pôde ser exibido por anos até a mudança de regime do país.

07

Valerie e a Semana das Maravilhas

Jaromil Jireš
1970

Certo dia, a jovem Valerie encontra um par de brincos mágicos e, ao usá-los, passa a ter outra visão do mundo ao seu redor, precisando aprender a conciliar este novo universo com sua puberdade e despertar sexual. O filme é um pesadelo surrealista por um mundo povoado de criaturas inefáveis, onde o sexo e a imoralidade se confundem com a própria noção de beleza em um espaço-limbo saturado por falsas acusações.

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