A abordagem do documentário vai de encontro com um contato um pouco mais intimista com a população cigana do Brasil, que mostra muito pouco dos hábitos, mas que representam a essência e o básico de referências dessa cultura, principalmente no âmbito musical, em cenas de varia o estilo de cantar e da música, como o sertanejo, moda de viola e o samba, que são estilos bastante presentes na vida de um brasileiro médio. O ponto mais positivo é quando o filme vai se focando nas interações dos ciganos enquanto se deslocam de lugar em lugar, mostrando esse forte contato deles com a natureza e com os espaços, contrastando sensorialmente com a pessoa que se aprisiona sempre no mesmo lugar devido a questões externas.

A obra, enquanto retrato da cultura desses povos, se coloca discursivamente no lugar de um manifesto político, visto a situação de discriminação e falta de acesso a recursos básicos que eles passam em grande parte devido a certos preconceitos relacionados aos ciganos do Brasil. Porém, o filme parece não experimentar seu discurso de forma imagética de maneiras realmente significativas. Há uma falta de unidade formal na execução do documentário, que parece não estar muito interessado na forma com que as filmagens vão ser mostradas na edição. Parece se focar demais no conteúdo, principalmente em inserts de números musicais que se estendem e parecem videoclipes, tirando a fluidez narrativa do filme.

Há também aspectos que chamam atenção nas filmagens e que podem parecer fúteis, mas tem muito a dizer; como, por exemplo, as constantes misturas da língua portuguesa com a língua romani. Parece ser algo banal, mas, sensorialmente, carrega bastante significado em relação ao aspecto político da obra de maneira positiva. A ideia de mistura cultural e de adaptação deles nos lugares tem um peso mais forte na forma da comunicação quando vemos cenas em que eles falam português entre si; mostrando como os lugares que eles passam também afetam eles e como eles se parecem perante a sociedade, levando em conta que temos descendentes de ciganos no Brasil.

Enfim, é um documentário que fala sobre a rotina desse povo do Brasil de maneira bem honesta e direta ao ponto em vários momentos, apesar de cometer deslizes formais em outros. Mas é uma obra interessante e que possui uma certa relevância para se conhecer um pouco mais sobre os ciganos e entender suas influencias na cultura brasileira e em outras partes do mundo.