Eu vivi pra ver as falas da icônica Luísa Marilac (que virou meme e bordão em 2010) proferidas por um homem italiano, durante o ato sexual e em um filme premiado. Fato é que os boatos que Don Caroglio estava na pior são, em parte, verdade sim, mas porran, o que que é tá bem né?
O personagem principal do filme é Roberto (Nicola Siri), chef de cozinha, ator e filho de uma brasileira espevitada com um cozinheiro italiano, já falecido, que trabalhava para a máfia local. A estrutura narrativa do primeiro filme se mantém, já que ao mesmo tempo que o tímido Roberto volta a morar com a mãe e trabalhar no restaurante, acompanhamos ele, já como Don Caroglio, chegando na prisão brasileira em que o chef é ninguém menos que Raimundo Nonato, o Alecrim (João Miguel).
Dessa forma, por meio de flashbacks vemos a história intrigante de como aquele italiano acabou ali, ao mesmo tempo que, no presente, há um embate entre o chefão italiano e o chefão brasileiro da cadeia, o Etcetera (Paulo Miklos). Tudo intermediado por Alecrim, que tem a simpatia de ambos – e do diretor da prisão – por causa de sua culinária deliciosa. E da mesma forma que o primeiro, esse filme dá muita fome!
Menos focada na tensão e com um humor de referência, baseado em estereótipos, é complicado não comparar a sequência do incrível Estômago (Jorge, 2007) com o original. Enquanto o primeiro consegue criar uma angústia terrível sobre o crime cometido por Alecrim, este já deixa claro de início o que provavelmente vai acontecer. Então, passada assim a expectativa, a ideia é apenas curtir a sequência de eventos malucos que vão levar Don Caroglio ao encontro do poderoso chef.
Essa característica de comédia de humor sombrio também isenta o filme de críticas sociais mais contundentes, que estavam presentes no primeiro. Aqui no fim das contas é legal pra caramba ser mafioso, seja no nível “básico” do Etcetera e seus comparsas, ou por trás das cortinas como o Alecrim, ou até com toda a pompa e notoriedade como Don Caroglio. Mesmo em uma situação de encarceramento sobre-humana como a das prisões brasileiras.
Nos fim das contas é triste que Raimundo Nonato fique de segundo plano em sua própria história, mas o novo protagonista ainda é carismático suficiente para gerar interesse em se saber mais sobre ele e criar essa máfia italiana com “jeitinho brasileiro”. O filme não reinventa a roda, segue os mesmos caminhos estabelecidos no primeiro (inclusive imageticamente, como mostrando a sujeira junto das belas comidas), mas entretém e ainda abre possibilidades futuras.