Se o cinema de John Ford é um ponto incontornável para compreender o cinema norte-americano, também é importante para compreender a história dos Estados Unidos. Escancarando de forma crítica e miserável a farsa que é o sonho americano em plena década de 40, Ford volta seu olhar para os efeitos catastróficos da Grande Depressão e como ela transformou (negativamente) a vida de trabalhadores que estavam em situação de desespero e como esse desespero ia sendo cooptado por empresários canalhas que ofereciam vagas de emprego insuficientes e exploratórias.

O filme usa de forma eficiente o recurso sensorial para nos conectar com aquela família ao construir uma sensação de um horizonte positivo e esperançoso quando eles migram da fazenda para que, repentinamente, ela seja destruída quando chegam ao destino almejado. Muito característico do cinema do diretor que retrata a procura do equilíbrio do homem com o espaço que convive.

Partindo também da compreensão de que a câmera representa a perspectiva dos personagens principais, quando chegam na cidade grande, o filme só coloca uma única cena com eles no centro urbano; depois, eles passam a conviver em ambientes muito degradantes e em condições precárias. Eles ainda estão na cidade, mas o espaço digno não lhes é fornecido como esperavam. 

É o resultado de uma quebra de expectativa seguida de decepção que vai se prosseguindo fluidamente ao longo da narrativa e que vai castigando os personagens. E, quanto mais triste ficava a situação, aos poucos o ritmo resgata os sensos de esperança e de expectativa da primeira parte do filme, mas que se apresenta de outra forma. Não como ilusão; mas como certeza.