O longa exibido na Mostra Caleidoscópio, que tem por proposta apresentar filmes que desafiam convenções, se autodenomina um filme-experimento. Uma Baleia Pode Ser Dilacerada Como uma Escola de Samba foi dirigido por Marina Meliande e Felipe M Bragança e tem por proposta unir maneiras diferentes de se fazer arte, como por exemplo: videoarte, instalação, performance, música, teatro e artes plásticas.

A narrativa cria um paralelo com Moby Dick, seja pela obsessão ou pela tragédia, para explorar o luto e o sonho em uma narrativa não linear. Usando a câmera parada, contraste forte de luz e cores, diálogos enunciados como em um teatro e uma atmosfera ao mesmo tempo lúdica e realista, o filme é um desbunde visual que emociona e fascina.

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Este curta alagoano, que teve a dupla Janderson Felipe e Lucas Litrento responsáveis por direção, roteiro e montagem, acompanha o momento de almoço de três pedreiros com um amigo de infância, que é motoboy entregador de comida, enquanto observam de longe uma discussão entre o mestre de obras e o engenheiro.

Com a fotografia em preto e branco, passado em um local afastado da cidade e, principalmente, com uma trilha sonora que remete aos sons típicos do filme de faroeste, o curta brinca com referências e paralelos a este gênero clássico. Além disso, a tensão da narrativa, baseada em um conto de Lucas, aumenta progressivamente à medida que o grupo de amigos começa a prestar mais atenção ao conflito próximo.

Assalto à Brasileira

ASSALTO À BRASILEIRA

Baseado na história real do assalto ao banco Banestado em 1987 na cidade de Londrina, o filme dirigido por José Eduardo Belmonte, Assalto à Brasileira, conta como sete homens armados mantiveram 300 reféns por horas no local sem ferir ninguém. No entanto, o protagonista é Paulo, um jornalista recém demitido que vai até o banco pegar sua rescisão e é feito de refém pelo bando, porém se oferece como mediador para com a polícia – com sua contraparte da vida real sendo o radialista gaúcho Paulo Ubiratan.

Além do jornalista, outros personagens também conservaram seus nomes reais e as cenas fora do banco foram reconstituídas baseada nas reportagens da época, ressaltando a quantidade de pessoas que assistia a negociação e torcia pelos assaltantes.

Com peculiaridades que só poderiam acontecer por conta do nosso jeitinho brasileiro, o filme reconta o evento de forma bem humorada – ressaltando essas singularidades e a comédia vindo principalmente desses absurdos –, porém também como crítica à crise econômica da época servindo de espelho para a decadência do capitalismo que vivemos hoje.

Em um momento, Moreno, o líder do grupo, declara que o que eles estão fazendo é uma resposta ao governo e que eles querem mudar o país. Ele também teria dito algo semelhante na vida real, como nos é revelado nos créditos. No fim é engraçado os assaltantes amadores, com consciência de classe, que distribuem o dinheiro com os reféns e ainda se preocupam se eles estão com fome – porque além de inusitado, vemos os bandidos de verdade fazendo o oposto.