O começo de Boa Noite, Mamãe é bem promissor: logo após sua mãe voltar para casa de uma cirurgia no rosto, os gêmeos Elias e Lukas começam a desconfiar que aquela não é sua mãe. A mulher, inicialmente representada com uma faixa no rosto que a deixa apenas com os olhos e a boca descobertos, tem uma aparência bastante macabra e a contradição de suas atitudes é capaz de gerar uma dúvida razoável. Seria outra mulher ou apenas a mãe que está diferente em decorrência da cirurgia e, eventualmente, de remédios?

Porém, com o prosseguimento do longa essa atmosfera de tensão inicial se perde completamente. Após alguns minutos, a reviravolta que conclui o suspense sobre a identidade da mulher se torna completamente óbvia, e mesmo assim a narrativa insiste em colocar esse “mistério” como o fio condutor da trama até a metade da obra. Conjuntamente a isso, a ausência de uma contextualização sobre a dinâmica daquela família retira o poder das estranhezas mostradas, por não termos um paradigma de comparação, tampouco uma razão para abraçarmos a dúvida dos gêmeos. Não sabemos a relação que eles têm com a mãe, não sabemos onde está o pai (mesmo ele sendo citado em um momento), não sabemos o que é considerado uma atitude normal por parte da mãe, entre muitos outros aspectos. Assim, o suspense se limita aos aspectos visuais, fazendo o filme parecer apenas um curta-metragem que foi longe demais.

Já bastante falho em sua primeira metade, consegue piorar ainda mais na segunda. Após finalmente a reviravolta se concretizar e ser exatamente aquilo que era previsível desde o início, a conexão emocional ínfima e o suspense tedioso dão lugar a uma série de cenas de violência gráfica que vêm completamente do nada, e que são desprovidas de qualquer impacto em virtude da falta de construção prévia. Assim como as bizarrices ocorriam apenas pelo apelo visual, agora a violência é somente uma demonstração das técnicas da direção sem qualquer conexão com o drama anteriormente desenvolvido, de modo completamente incoerente com o suspense psicológico que o longa busca tão desesperadamente realizar.

Boa Noite, Mamãe tenta produzir uma história tensa que termina em uma situação extrema e assustadora, e falha em todas as suas pretensões, resultando em um filme vazio, em que a ideia dos diretores fica pouco clara e cuja substância vem apenas do choque de algumas das imagens — tais como a mãe com a cara enfaixada e o exploitation ao final — sem qualquer tentativa de construir o seu suspense por outros meios.