O passado de um ex-ativista finalmente o alcança quando um estranho misterioso aparece no bar, armado e buscando vingança. A aparição de um sósia, o deprimido e solitário Dom, fornece à parceira astuta de Boris, Kayoko, e ao fiel amigo Tim o plano de fuga perfeito. Mas eles não contavam com a ex-esposa de Dom, Fiona, uma detetive suspeita que está em seu encalço. Estrela Cadente parece se sustentar de forma convincente no mistério da trama principal, deixando-o oculto boa parte do tempo para ser revelado na parte final do filme. Esse ato de esconder o verdadeiro acontecimento pode impulsionar a curiosidade por meio da utilização da estranheza. Porém, no caso dessa produção, é bastante mal aproveitado e nada convincente.

O primeiro fator a se considerar é que, em grande parte do longa, ele parece não saber aonde quer chegar. Mesmo que as pistas do que realmente está acontecendo estejam ali, a condução narrativa é muito desorganizada, de uma maneira que não apresenta um propósito claro para ser desse jeito, resultando numa superficialidade evidente.

Além de não situar bem o ambiente, o filme enfraquece ainda mais na caracterização dos personagens. O tempo todo, é exposto um drama envolvendo personagem X e, em paralelo, vemos as aventuras do personagem Y. São definidos os espaços em que esses personagens irão se entrelaçar e algo vai se desenrolar a partir dali. Mas a má contextualização de tudo faz com que nada tenha relação com nada. Os personagens são um bando de largados, e não há uma justificativa convincente para nos preocuparmos com eles, mesmo que fiquemos na expectativa de ver a situação em que se encontram. O drama em si também é muito subutilizado.

E, quando chegamos à parte em que o filme se aventura pela comédia, a experiência se torna um constrangimento. O “humor” físico é o maior aspecto negativo dessa obra; apesar de usar uma estética caricata, repleta de cenários estilizados e cores fortes para destacar a lógica da encenação, com forte inspiração teatral, a desorganização da produção falha em articular esses elementos em uma ideia central. Assim, estimula qualquer coisa, menos graça. Esses aspectos são muito bem representados pela personagem Kayoko (Kaori Ito), responsável por grande parte do lado cômico do filme. Porém, devido à incompetência da obra, ela se torna de longe a personagem mais detestável e irritante da trama, e que fica ainda mais ‘vergonha-alheia’ quando se incorpora de vez em algo que já não foi bem estabelecido ao longo da duração.

Portanto, “Estrela Cadente” falha em combinar mistério, drama e comédia de forma coesa. A narrativa desorganizada e a superficialidade dos personagens dificultam qualquer vínculo emocional com a história. O humor físico exagerado, em vez de entreter, causa constrangimento, e a personagem Kayoko, destinada a trazer leveza, torna-se um dos pontos mais fracos do filme. No fim, a falta de uma execução clara compromete o potencial da obra, resultando em uma experiência insatisfatória.