Bea e Ben se encontram em uma cafeteria e têm um encontro perfeito. Mas, quando ela o deixa no dia seguinte sem dar explicações, o encanto se transforma em raiva, que chega a seu ápice quando eles se reencontram no casamento da irmã da Bea. Assim, para não estragar o casamento, eles decidem fingir que estão juntos.

Como todos os romances, essa história tem uma origem antiga. O falso romance que, de tanto fingir, se torna realidade, vem desde Fleur de Cactus, peça de 1964. Quanto à raiva que se torna amor, um marco importante é A Megera Domada, peça de Shakespeare do final do século XVI. Os tempos mudam, as histórias se atualizam, porém o fundamento é o mesmo, e por que não nos cansamos de ver as mesmas tramas com o mesmo final?

Embora “previsível” seja levado muitas vezes (de maneira incorreta) como demérito, há uma grande vantagem nisso: a mudança completa do olhar para a forma. É sempre curioso ver como as grandes histórias se adaptam a novos contextos e criam novos paradigmas, como o divertido 10 Coisas que Odeio em Você, que trouxe a peça de Shakespeare às comédias teen do fim dos anos 1990.

Em Todos Menos Você, há uma deliciosa articulação de diversos estilos de comédia. Das tradições da comédia romântica dos anos 1990 e 2000 até o humor físico. Muito do visual do filme, aliás, é baseado em interações com os corpos dos personagens, seja por meio do riso ou da sensualidade. Nem sempre tais aspectos funcionam, e às vezes destoam bastante do tom geral, porém essa é a exceção à regra.

Apesar de Glen Powell estar muito bem, quem se destaca é Sydney Sweeney. Foi muito confortável vê-la em um papel tão feliz, depois de tantos em que interpreta personagens mais sombrios e protagoniza cenas fortes. Aqui, vejo que gosto muito mais do seu lado alegre do que de sua atuação mais dark. Depois de duas temporadas de Euphoria e o (horrível) The Voyeurs, foi como ver um conhecido que sofreu a vida toda sorrir de verdade pela primeira vez.

Todos Menos Você pode não ser o auge da comédia romântica, mas definitivamente seduz. Fundamentado na reconstrução de um laço rapidamente surgido e quase imediatamente destruído, explora os desejos amorosos e físicos entre os personagens de maneira engraçada, divertida e apaixonante.