Os Caras Malvados é uma franquia baseada em quadrinhos infantis sobre um grupo de malfeitores, especializados em roubos, que decidem largar a vida de crimes e se provarem como “caras legais”. O primeiro filme estabelece a gangue, ainda dedicada ao crime e muito eficientes em roubos e assaltos – inclusive com referências a diversos filmes do gênero –, na sequência, recém-saídos da prisão, eles procuram um emprego longe das atividades ilícitas, mas sem sucesso. Na tentativa de se provarem boas pessoas, decidem então ajudar a nova comissária de polícia a prender um misterioso ladrão, o que irá levá-los a locais inusitados como um ringue de luta livre e até um foguete no espaço sideral.
Da ação desenfreada a piadas situacionais e de referência, o tom é mantido de um filme para o outro, bem como a dinâmica entre o grupo principal, cada um com uma habilidade própria especial. As adições ao elenco também são bem vindas e, mesmo com tantos personagens, todos têm ao menos um momento para brilhar, um momento que justifica sua presença na trama. Apesar de não ter assistido à versão com as vozes originais, a dublagem brasileira tem o padrão de qualidade esperado e traduz bem o humor – e agradeço por não ter que ver mais uma animação com a dublagem rouca deslocada da Awkwafina.
Por outro lado, confesso que já estou um pouco saturada desse estilo de animação difundido a partir de Homem-Aranha no Aranhaverso (Persichetti, Ramsay e Rothman, 2018), que mistura 3D e 2D, ressaltando os traços e texturas como se tivesse sido feito a mão. Alguns exemplos são A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (Rianda, 2021), Gato de Botas 2: O Último Pedido (Crawford, 2022) e O Homem-Cão (Hastings, 2025). Além disso, os humanos do filme têm o design muito parecido com o da Disney/Pixar dos últimos anos, que estão chamando de “bean mouth” (boca de feijão), no qual o formato dos rostos, especialmente das bocas de humanos, seria semelhante ao de um grão de feijão. Dessa forma, não há uma diferenciação muito notável no design e na animação para outras tantas recentes.
A narrativa é agradável e divertida o suficiente para que essa questão não seja um incômodo tão grande, mas acende um alerta de que talvez os filmes de animação dos grandes estúdios, como a DreamWorks Animation aqui, tenham chegado a um novo platô e precisem novamente de renovação. Naturalmente, não vai ser a franquia Os Caras Malvados a responsável por reinventar a roda, mas é sintoma de uma certa falta de criatividade da área nos últimos anos. Ainda assim, o carisma da obra e as situações absurdas, quase um Looney Tunes, ajudam bastante a não deixar que esta sequência seja vítima da mesma passividade e desgaste de que sofrem os lançamentos do estúdio do rato.