Forçada a confrontar revelações sobre seu passado, a paramédica Cassandra Webb (Dakota Johnson) cria um relacionamento com três jovens mulheres, Julia Cornwall (Sydney Sweeney), Anya Corazón (Isabela Merced) e Mattie Franklin (Celeste O’Connor), em prol de ajudá-las a sobreviver ao ataque de Ezekiel Sims (Tahar Haim), que tem uma visão na qual as jovens ganham poderes e acabam com sua vida.
Apesar de Madame Teia não ser uma grande obra do gênero, fui surpreendido pela quantidade de boas ideias presentes no filme. Só isso já o faz melhor que a maioria dos filmes de super-herói, justamente por ter um conceito que sai desse padrão narrativo do MCU, e busca uma história de origem muito peculiar. Nesse sentido, Madame Teia trabalha de modo interessantíssimo a frustração das expectativas provenientes desse padrão narrativo, ao sugerir cenas mais tradicionais do cinema de super-herói, para seguir o caminho contrário posteriormente.
Considerando que os trailers acabam apontando para uma direção, é compreensível a decepção com o fato de a maioria das cenas mais “heróicas”, como aquelas envolvendo as personagens de collant, não vão muito além do material promocional. Por isso, acho importante ver o longa com uma mente aberta e desvinculada do marketing, assim como separado (o máximo possível, porque é impossível retirar totalmente qualquer conhecimento prévio) de expectativas. Mostra-se essencial abraçar a frustração, porque Madame Teia abraça, e acho bastante difícil não se divertir pelo menos um pouco se fizer isso.
Em paralelo, o lado mais dramático, normalmente envolvendo a protagonista com seus traumas e inseguranças, é constantemente quebrado pelas partes mais bobas por parte das jovens. Pode não ser a atuação mais brilhante de nenhuma das atrizes, porém considero bastante competente a dinâmica que parece fruto de uma boa comédia adolescente dos anos 2000 misturado a um filme de herói mais tradicional.
É triste que essas ideias não sejam tão bem desenvolvidas, e em vários momentos a obra se renda a cenas mais comuns, estas bem sem alma e até confusas. Da mesma forma, mesmo que eu tenha gostado dessa iniciativa de trazer personagens adolescentes, assim como a relação que elas criam com a Cassie de Dakota Johnson, o longa não vai muito além dessa proposta inicial, tampouco desenvolve uma conexão mais humana do que o contexto familiar citado nos diálogos.
Essa inconsistência na hora de desenvolver as propostas chega ao seu ápice nas cenas de ação. Se tem algo que eu concordo com os críticos do filme é quanto à sua bagunça visual em alguns momentos, visto que muitas vezes a diretora faz escolhas de posicionamento e movimentos de câmera bem dissonantes da ideia mais mundana da obra. Essas técnicas, aliadas à estrutura mais tradicional que se adota mais perto do final, enfraquecem a ideia da direção e aproximam a produção de tantas outras mais competentes,
Por mais que uma continuação seria essencial para explorar o potencial perdido de diversos conceitos de Madame Teia, e provavelmente ela nunca vai acontecer, realmente achei o filme mais interessante do que eu esperava. Em primeiro lugar, por ele ter ideias bastante únicas, como mencionei. Em segundo lugar, por não ter muita coisa no filme capaz de gerar esse ódio que parte considerável do público sentiu (a maioria para seguir a multidão, penso eu), visto que ele é muito mais inofensivo do que falam por aí. Pode ser mal desenvolvido e mal filmado em vários momentos, porém a totalidade é até aproveitável para o espectador pronto a deixar de seus preconceitos.