Trevor Edward Shults é um diretor que divide opiniões desse seu longa de estreia Krisha, um autor que casava muito bem com a proposta do famoso estúdio da A24, com suas ideias narrativas que visavam dar ênfase no detrimento psicológico de seus personagens e com sua estética quase que psicodélica. Essas pequenas características autorais se encontram bastante em Hurry Up Tomorrow, uma obra que, inicialmente, busca destrinchar a psique do famoso cantor The Weeknd, interpretado por ele mesmo no longa. É uma pena que esse filme exista apenas como uma expressão artística patética de auto bajulação do cantor, e digo isso mesmo sem ter praticamente nenhum conhecimento profundo sobre sua carreira musical, pois isso aqui não importa nem um pouco.

O filme aparentemente conta, de uma forma extremamente pretensiosa e presunçosa, uma grande crise depressiva do cantor após sua namorada o deixar, afetando diretamente sua performance musical nos palcos e também nas gravações de seu disco. Em uma péssima escolha criativa, o diretor opta por dar início a sua obra com um show do artista, não entregando nada além de um grande jogo de luzes que doem a vista e algumas apresentações musicais, que se estendem além da apresentação em pequenas sequências que parecem mais um videoclipe do que um filme se verdade. Isso pode até parecer legal a primeira vista, se essa estética de videoclipe pseudo psicodélico não se estendesse por todo o primeiro ato do longa, deixando de lado toda uma possível construção psíquica de seus personagens, que por sinal soam como estranhos para aqueles que estão assistindo.

Se torna muito difícil estabelecer qualquer relação emocional ou afetiva com qualquer um deles, mesmo que Barry Keoghan e Jenna Ortega entreguem boas atuações, a direção de Edward Shults prefere muito mais focar em sua cinematográfica abstrata e psicodélica, que não agrega em nada na construção dramática de sua trama. Mesmo podendo se dizer que toda essa artimanha psicodélica do filme se reflita na mente perturbada do cantor, e na realização de sua arte como músico, o longa sofre para apresentar alguma profundidade narrativa em relação aos seus conflitos internos. Todas as ideias que partem disso ficam jogadas em maio a tanto experimentalismo vazio, que também afeta na construção da dinâmica psicológica entre eles. Isso se reflete muito na cena em que a personagem de Jenna Ortega dança as músicas do cantor enquanto ele assiste. Não há ideia, não há nada que aprofunde aquela situação, é sempre algo jogado e solto da pior forma possível.

Esse filme nada mais é do que uma propagando com elementos metalinguísticos do último disco de estúdio de The Weeknd, também intitulado Hurry Up Tomorrow. É como se ele tentasse conversar sua arte musical com uma narrativa cinematográfica, sempre apontando para ele e para seu trabalho na música, que apesar de ser bom, não apresenta nada que possa resultar em um filme.