Um Meio Termo: Sete Média-metragens para Você Conhecer

O termo “média-metragem” gera debates até hoje sobre sua definição nebulosa, em especial diante de sua distinção dos curtas-metragens e longas-metragens.

No primeiro cinema, tal distinção iniciou-se em um contexto mais prático e utilitário, já que era relacionada à quantidade de rolos de filme usados para determinadas obras. O padrão inicial era o dos curtas, já que a linguagem cinematográfica estava engatinhando em experimentos técnicos ainda limitados. Com a evolução da tecnologia e uma maior flexibilização na produção de tais filmes, surgiram as médias e longas-metragens.

Porém, com a digitalização do cinema e com o advento das premiações e festivais, que vinham com seus próprios critérios e definições, o termo “média-metragem” começou a ser deixado de lado. Hoje, ainda não existe um consenso sobre o recorte de duração para definir um média, mas organizações como a Ancine, aqui no Brasil, determinam que são obras de 15 a 70 minutos de duração. Já a AMPAS, organização por trás do Oscar, não reconhece essa categoria e só considera curtas e longas.

A seguir, listamos alguns médias, dentro de um recorte de 20 a 60 minutos, que valem a pena conhecer.

01

Bancando o Águia

Buster Keaton
1924

Antes de Tom Cruise fazer suas acrobacias nas filmagens, de Fellini explorar a metalinguagem em 8½ (1963) e dos soviéticos revolucionarem a montagem, Buster Keaton fez tudo isso e mais um pouco em Bancando o Águia. Aqui, um projetista sonha em tornar-se detetive, mas é acusado injustamente de roubo, o que o leva a uma jornada de suspense e comédia para provar sua inocência. Além de ser hilário até os dias de hoje, o filme apresentou algumas das cenas mais deslumbrantes da história do cinema, em que Keaton realiza cenas inimagináveis numa época em que o CGI nem sonhava em existir.

02

O Balão Vermelho

Albert Lamorisse
1956

Em Paris, um garoto esbarra em um balão vermelho que vaga pelas ruas como se possuísse uma espécie de vontade própria. Fascinado, ele o segue. Um filme sobre ilusão em seu estado mais puro; primeiro, a ilusão técnica, que, com uma delicadeza encantadora, nos faz acreditar no movimento e na vida do balão; e a ilusão emocional, inerente à infância, período em que a crença absoluta na magia do mundo ainda não foi corroída pelo concreto da cidade e pelos rigores da vida adulta. O choque entre a realidade austera da cidade e a fé do olhar infantil.

03

Rito de Amor e de Morte

Yukio Mishima
1966

A obra dramatiza o suicídio ritualístico (seppuku) do tenente Shinji Takeyama, que prefere a morte ao dilema de combater seus amigos revoltosos no Incidente de 26 de fevereiro de 1936, um golpe fracassado organizado por jovens oficiais nacionalistas do Exército Imperial do Japão. Concebido quase como um ritual, o filme funciona como um manifesto estético, político e existencial de Mishima, antecipando de forma impressionante sua própria morte anos depois.

04

Pumzi

Wanuri Kahiu
2009

Esta ficção científica do Quênia, que estreou no Festival de Sundance de 2010, conta a história de um mundo devastado após uma terceira guerra mundial, onde as pessoas vivem em edificações fechadas em meio a uma paisagem desértica, das quais não podem sair devido à radiação. A protagonista, Asha, encontra uma amostra de solo que sugere a possibilidade da vida voltar ao mundo exterior. O filme se utiliza da estética clean e utilitária, comum na ficção científica, e a contrasta com visões oníricas da natureza e com a corporalidade da protagonista em sua jornada sob as condições severas do deserto.

05

Kung Fury

David Sandberg
2015

Com uma mistura de ninjas, robôs, dinossauros, deuses nórdicos e nazistas, Kung Fury homenageia os filmes de ação dos anos 1980, com tudo elevado à décima potência. Os efeitos especiais “toscos”, que remetem a videogames antigos, o colorido neon e os one-liners também contribuem para o clima de nostalgia retrô da obra. Após a estreia no Festival de Cannes, o filme foi disponibilizado no YouTube e fez muito sucesso, resultando em uma sequência já anunciada e conduzida pelo mesmo realizador.

06

Chime

Kiyoshi Kurosawa
2024

Kiyoshi Kurosawa é um diretor muito aclamado do cinema contemporâneo global, especialmente pelos seus filmes de terror que, além de trabalharem temas como a incomunicabilidade no mundo moderno, lidam com elementos sugestivos da imagem de forma muito própria em sua encenação. Em Chime, acompanhamos um professor de culinária e seu declínio mental catártico. É um trabalho com uma decupagem bem clássica e rigorosa, construindo medo e inquietação no espectador a partir de uma reação em cadeia de situações violentas e, talvez, sobrenaturais, que surgem justamente daquilo que deveria ser mais banal no cotidiano.

07

Couraça

Daniel Arcades & Susan Kalik
2025

Couraça foi um dos participantes da mostra competitiva nacional de curtas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro deste ano. O belíssimo longa baiano conta a história de três cangaceiros, dois homens e uma mulher grávida, que escaparam da chacina que aniquilou o bando de Lampião e agora precisam encontrar um lugar seguro para eles e para o bebê que está por vir. E além disso, há um “amor proibido” no meio de tudo que pode levar o grupo à ruína.

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