Os Thriller Eróticos normalmente seguem uma estética narrativa e visual bastante típica, ainda mais se utilizando de referências às obras dos anos 80 e 90 que se baseiam bastante no cinema noir das décadas de 40 e 50. Diretores como Paul Verhoeven e Claude Chabrol, que se tornaram pioneiros nesse subgênero do suspense, realizaram os filmes típicos quando nos referimos a essa vertente dos Thriller; Instinto Selvagem, Mulheres Diabólicas, Showgirls, entre outros filmes que, como disse um pouco antes, são caracterizados por estéticas que já são clássicas e vão da aproximação tensa e calorosa entre os personagens em sua encenação e da constante ameaça sexual que um dos lados da história impõe até o crescente suspense acerca das intenções maquiavélicas da trama. No caso de Motel Destino, Karim Aïnouz buscou uma variação na construção de sua atmosfera neo-noir e erótica que concede uma identidade muito única a seu longa.
Se muitos consideram A Vida Invisível um “melodrama tropical”, muito por sua ambientação nas clássicas ruas do Rio de Janeiro, Motel Destino pode ser considerado um “neo-noir tropical”, traçando essa textura pixelada e luminosa, que reflete com o calor e a paisagem tropical do nordeste do Brasil, fazendo com que seus personagens pareçam estar exalando aquele calor proveniente da tensão sexual que os cercam, se intensificando pelo motel em que a história se passa, onde as interações entre eles são constantemente interrompidas pelos gemidos sexuais vindos dos quartos — elemento este que é detalhe primordial e que concede um teor erótico extremamente elevado ao longa.
O suor presente nos corpos de Heraldo (Iago Xavier), Dayana (Nataly Rocha) e Elias (Fábio Assunção) concede essa característica calorosa que atinge diretamente a aproximação sexual imposta por Aïnouz. Unindo essa nomeada estética tropical à sua proposta de gênero, o diretor aumenta esse calor do ambiente conforme a relação adúltera de Heraldo e Dayana cresce e se torna algo que pode ameaçar a vida do trio de protagonistas.
Essa relação entre os três — do amante, a traíra e o traído — vai escalando de forma visceral, até o ponto em que o suspense se exalta e atinge seu ápice no fim do filme, onde o erotismo do diretor se extrapola ao ponto de nenhum deles se utilizar de vestimentas, entregando seus corpos ao ambiente que parece ser mais um personagem na história. Como já dito, a estética tropical de Aïnouz está presente em todos os aspectos do filme, nas luzes coloridas que entregam uma experiência não apenas sexual, mas também psicodélica, unindo o prazer e o calor do sexo a uma experiência extracorpórea, que também se apresenta como o motor do suspense.
Motel Destino pode ter gerado vários comentários em Cannes acerca de sua abordagem sexual, talvez por conta dessa estética levemente suja do diretor ou até mesmo com os sons emitidos dentro das quatro paredes que invadem as cenas constantemente, mas é necessário apontar como Karim Aïnouz não apenas realizou um thriller erótico, mas também como ele criou uma estufa muito própria para si, enquanto trabalha com essas estruturas clássicas do subgênero.