VINTE VINTE QUATRO

Resultado da pesquisa para o trabalho de conclusão de curso do diretor, o curta acompanha o dia-a-dia de cinco jovens, menores de idade, em uma unidade de internação socioeducativa do Distrito Federal. O que seria um documentário, também se torna um exercício de linguagem ao ponto em que os rapazes participam do processo de criação, seja como atores, encenando seu próprio cotidiano, ou operando a câmera e apontando para o que acham relevante.

Há uma preocupação em esconder os rostos e não mostrar a identidade dos garotos, que não podem também ser nomeados, e as soluções encontradas para isso elevam a estética do filme. Exemplos são o uso de sombras e de contraluz, posicionamento de objetos na frente dos rostos e enquadramentos focados em partes do corpo, como pés, mãos e costas — abusando também do contraste de cores claras e escuras.

Vinte Vinte Quatro

ISSO AQUI É VÁRZEA

O futebol amador do Paranoá, no Distrito Federal, é o tema deste curta documental que mistura entrevistas e filmagem da preparação dos jogos com vídeos e fotografias de arquivo para resgatar a história da comunidade. Apesar da montagem clássica, o filme consegue estabelecer um dinamismo que não deixa cansativo ou parecendo reportagem de jornal diário.

Há um cuidado nos enquadramentos das conversas, feitas sempre com cada personagem sentado na mesma cadeira, mas em locais diferentes para cada um, que sempre valoriza mais a paisagem do que a pessoa. Além disso, também faz bom uso de letterings divertidos para dar nome aos lugares e aos entrevistados. O destaque, no entanto, fica no texto dos depoimentos, com boas histórias que reforçam o senso de comunidade e amizade entre os participantes e a importância do futebol amador para as pessoas daquele local.

TIRÓ E A ONÇA

O curta-metragem Tiró e a Onça surgiu depois que o diretor Wera Poty fez um curso de audiovisual e entrevistou, em vídeo, o ancião de sua aldeia, chamada Tekoa Mirim, em Praia Grande, São Paulo. A partir das histórias contadas, o diretor recria a ocasião em que um jovem Tiró e seus amigos encontraram uma onça na floresta.

O filme, então, intercala imagens da entrevista com a encenação da história, mas também mostra o processo de criação por trás — as câmeras, o equipamentos de som, a pintura da onça, as locações na floresta e na aldeia e a direção dos atores. A escolha de mesclar a ficção e documentário, criando a narrativa do filme dentro do filme, é interessante por revelar o interesse e a união da comunidade para fazer cinema.

Tiró e a Onça

SE EU FOSSE VIVO… VIVIA

O quarto longa de André Novais começa com um cold opening, passado nos anos 1970, em Minas Gerais, e mostra o jovem músico Gilberto fugindo de casa para ir ao baile se reconectar com Jacira. Enquanto os dois estão voltando para casa, observam uma figura peculiar na mata e quando vão verificar o que é, somos tomados por um clarão seguido do título do filme.

Essa informação fica na cabeça e causa uma angústia, ou estranheza, enquanto acompanhamos o cotidiano mundano do casal no presente. Os dois idosos comem churrasco, tomam remédios, vão a consultas médicas e assistem TV juntos, enquanto isso, conversam sobre vida e morte. A rotina, no entanto, é abalada quando Jacira passa mal e precisa ser hospitalizada. A partir deste ponto de virada, o filme toma um rumo talvez já esperado, mas ainda assim, ao mesmo tempo, surpreendente.

Se Eu Fosse vivo... vivia