Banne do filme "Tudo sobre minha mãe"

Dia de Finados: Filmes Sobre Luto e Perda

Não podemos negar que a morte abala o ser humano. Inúmeras obras de formatos artísticos milenares tentam especular o que vem depois do fim. Ora, a religião muitas vezes é a única que tenta sanar essa dúvida abismal!

Filmes sobre a Morte personificada, filmes existencialistas sobre a efemeridade da vida, os diversos melodramas sobre doenças terminais, que muitas vezes usados como isca para prêmio. É um tema que vai perdurar por muito tempo, já que, para fazer Arte, basta estar vivo. E basta estar vivo para se questionar eternamente sobre os finalmentes.

Hoje, em Dia de Finados, trazemos sete filmes que falam não sobre aqueles que partem, mas sobre aqueles que ficam e precisam lidar com a ausência da pessoa amada, afligidos pela culpa, pela melancolia ou pela raiva. Em síntese, pelo luto.

01

Cría Cuervos…

Carlos Saura
1976

Um drama psicológico acerca da fascinação sobre a morte, o longa de Carlos Saura narra as memórias de Ana, uma menina de 9 anos criada junta de suas irmãs por sua tia rigorosa e sua avó debilitada após presenciar a morte de seus pais, começando a acreditar que possui poder sobre a vida e a morte das outras pessoas. A performance mirim de Ana Torrent é deslumbrante ao evidenciar o ponto de vista de uma criança em meio ao seu luto traumático e sua reação fantasiosa ao processo, desenhando uma história melancólica sobre uma mulher afundada em um vazio.

02

A Liberdade é Azul

Krzysztof Kieslowski
1993

No primeiro filme da trilogia das cores do cineasta polonês, Juliette Binoche é Julie, esposa de um compositor que falece em um acidente de carro com a filha do casal. Como única sobrevivente, Julie desiste de viver, destrói tudo o que a lembra da família e se isola em um apartamento em Paris – mantendo apenas um móbile azul. Com o tempo ela começa a ser confrontada com a necessidade de criar novas conexões com as pessoas em volta. O luto aqui passa é sentido principalmente através da fotografia azulada e do olhar desolador de Binoche.

03

Tudo Sobre Minha Mãe

Pedro Almodóvar
1999

Após perder seu filho, Esteban, de maneira trágica, a mãe solteira Manuela se muda para Barcelona, em uma tentativa de encontrar a outra genitora de Esteban. Lá ela conhece Rosa, uma jovem enfermeira com HIV, que carrega em seu ventre uma criança. O luto é o motor central do filme, ele que move a protagonista e possibilita tudo acontecer. Entretanto, acaba sendo uma obra sobre muito mais do que isso. Tudo Sobre Minha Mãe é um história sensível e emocionante sobre maternidade, amor, preconceito, religião, sexualidade e gênero, sem deixar de lado talvez o mais importante: conexão; e sobre como relacionamentos podem aliviar o triste pesar da vida.

04

Direito de Amar

Tom Ford
2009

Uma espécie de versão LGBTQIAP+ de A Liberdade É Azul. O primeiro filme dirigido pelo estilista Tom Ford se passa nos anos 1960, depois que George (Colin Firth) perde seu namorado de longa data em um acidente de carro. Ele tenta lidar com o luto que parece sugar cada vez mais o resto de sua vida, vivendo no automático enquanto dá suas aulas e bebe com sua amiga, vivida por Julianne Moore. Há uma esperança de recuperação, porém, quando George conhece um certo aluno na faculdade. A elegância de Tom Ford no mundo da moda é expressa também em suas imagens e a forma como retrata a melancolia avassaladora de George através da encenação é de uma sensibilidade que faz desse seu melhor filme.

05

Elena

Petra Costa
2012

Eu juro que não consigo entender muito a implicância de alguns cinéfilos com esse cinema documental intimista de Petra Costa. Seu primeiro longa fala sobre Elena, sua irmã, que infelizmente cometeu suicídio aos 20 anos de idade. Claro que Petra comenta e muito sobre seu luto e o de sua mãe especialmente, num retrato devastador, mas há a intenção de homenagear sua irmã a partir de vídeos caseiros que potencializam a tragédia que foi sua partida. Somos incluídos naquela família para sentirmos a mesma perda que seus entes queridos. De uma poesia absurda e de uma tristeza sem tamanho. Não é um filme fácil!

06

Na Cadência do Amor

Hong Khaou
2014

Neste filme britânico, um rapaz (Ben Whishaw, o Paddington) torna-se o responsável pela sogra após a morte de seu companheiro. O problema é que a idosa, interpretada pela famosa atriz chinesa de wuxias, Chang Pei-Pei, não fala inglês e não sabia que o filho era gay, Os dois então tem que vencer a barreira da língua e do preconceito para que possam juntos lidar com a dor da perda que eles compartilham, além de dividirem suas memórias. É uma história contida, seja pelo espaço e pela quantidade de personagens, além de muito sensível e comovente.

07

Manchester à Beira-Mar

Kenneth Lonergan
2017

Ao receber a notícia de que seu irmão sofreu um ataque cardíaco, Lee Chandler retorna a sua cidade de origem Manchester-by-the-Sea para cuidar de seu sobrinho adolescente, mas precisa lidar com memórias de um passado traumático relacionado a sua antiga família. Eu não sou grande fã da “teoria das cores” no cinema, mas se tem um filme em que o azul transmite uma melancolia patente, é esse aqui. O litoral frio do nordeste americano é o cenário perfeito para a jornada de recuperação de um homem que se enxerga culpado de seu próprio sofrimento. Mais um filme difícil, mas que guarda a esperança na redenção.

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