Millie Calloway (Sydney Sweeney) está precisando de um emprego urgentemente para não voltar para a cadeia, então ela aceita ser empregada na casa de Andrew (Brandon Sklenar) e Nina Winchester (Amanda Seyfried). Millie fica encantada com a recepção ao ir morar na casa deles, mas Nina logo começa a perceber que Andrew olha diferente pra ela.
O diretor Paul Feig até poderia ter algum mérito se não estivesse completamente no piloto automático. A caracterização dos personagens e os diálogos têm um tom de ridículo que poderia funcionar bem, mas são ridículos não com ideia de ironizar ou criar um suspense mais cartunesco; no fim tudo isso só demonstra que o diretor não tem controle sobre nenhum aspecto desse filme.
Para além da caracterização que não serve de nada ao filme, fazia tempo que eu não via um diretor que não consegue filmar um plano por mais de 5 segundos sem cortar. É um trabalho de decupagem quase inexistente; a continuidade das sequências remete àquelas esquetes de humor duvidoso que a gente encontra pela internet — mas talvez até nelas um diretor consiga enquadrar duas pessoas num plano de mais de 3 segundos, e não inverter a posição dos personagens fazendo um raccord simples; fazer o básico com a câmera parece muito difícil aqui.
Os embates na trama começam com a protagonista sendo vigiada e amedrontada por Nina, construindo todo um arquétipo de matriarca do mal. Mas isso dura pouco, Millie e Andrew viajam juntos e fazem tudo o que querem fazer (nem as cenas de sexo compensam, inacreditável o que o Feig fez aqui). Quando voltam, Nina surta com os dois e é expulsa da casa por Andrew, que agora quer ficar com a Millie.
Não demora muito até a Nina ser trancafiada no quartinho em que dormia como punição por acidentalmente ter quebrado a louça da avó de Andrew. Por mais porco que o filme seja, a tortura é cruel. É esse o ponto em que fica claro que Andrew, e não Nina, era o antagonista desde o começo; mantendo a relação desde sempre com base na dinâmica de poder do homem sobre a mulher. Os flashbacks de Nina, que vemos nesse momento da história, que são a única coisa minimamente interessante do filme. Depois disso temos o tão aguardado desfecho #GIRLPOWER, em que elas finalmente se livram da figura completamente detestável que é o personagem de Brandon Sklenar.
A Empregada é um dos piores filmes do ano com uma certa folga. Mas eu não esperava nada. Poderia até falar que o filme parece um videoclipe, porém issi seria uma baita ofensa aos bons diretores e montadores de videoclipe. Amanda Seyfried é de longe a melhor coisa do filme, uma pena que Feig não tem a mínima ideia de como decupar uma simples cena, resultando em uma obra que não consegue construir potência nenhuma, mesmo com uma trama que poderia ser interessante caso a direção não fosse tão relaxada com a imagem.