O documentário conta a história de Maria Prestes, segunda esposa de Luís Carlos Prestes, tendo como contexto a história do Brasil, desde a ditadura de Getúlio Vargas até o assassinato de Marielle Franco. A montagem utilizou encenação, imagens de arquivo e de uma viagem que fizeram junto com Maria passando por diversos locais do Brasil, como assentamentos do Movimento dos Sem-Terra, bem como universidades federais, além de mostrar também locais da Rússia, país em que Maria morou em exílio e que ela lembra como a melhor época da vida dela.
A diretora Ludmila Curi também é a narradora da história. Ela associa as diversas Marias revolucionárias da história, como Maria Bonita, Anita Garibaldi e Maria Quitéria, e explica que Maria era um codinome comumente utilizado por quem estava na clandestinidade, como a própria Maria Prestes, com nome de batismo Altamira Rodrigues Sobral. Com isso, também ressalta que ela não era apenas dona de casa e esposa do político, como também foi ativamente militante comunista desde os 17 anos de idade e seguiu por toda a vida
Com a presença de Maria Prestes em momentos decisivos do país, o filme comenta sobre temas sensíveis da história do Brasil, seja no passado com a ascensão da ditadura militar e proibição do partido comunista – o que causou o exílio de Luís Carlos Prestes e sua família – e também recentes como o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. O mais interessante é a resiliência de Maria que, mesmo com tudo o que ela viu, nunca parou de militar e de acreditar na causa, em especial na questão da reforma agrária.
É uma parte da história brasileira, inclusive, que é pouco explorada na escola e na mídia, dando a sensação de que os movimentos sociais são algo do passado ou que foram pequenos momentos. Mas a realidade é que existem tantos outros como todas essas “Marias” e organizações, como o MST, citado pela própria Maria Prestes como o mais organizado do país, que nunca desistiram de fazer trabalho de base e lutar por reformas e mudanças.
No entanto, o documentário tem um grande problema: Maria Prestes, depois de anos de produção, desistiu de autorizar o uso de sua imagem para o filme. Dessa forma, a solução encontrada pela diretora para ainda assim contar a história dela foi apresentar tudo o que está em volta da militante – admiradores, camaradas, filhos e familiares, além do contexto histórico político já mencionado. De certa forma é interessante ver a Maria pelo olhar dos outros, alguns até bem emocionados, mas não deixa de ser um pouco frustrante não ouvir essa história tão rica pela voz dela mesma.
De modo geral, é uma narrativa super importante que tira a impressão de que o movimento comunista brasileiro é algo que já acabou e retornou agora, ou até algo que nunca existiu (apesar de que tem uma galera que acha que Lula é comunista), mas o trabalho de base está sendo feito ainda e com presenças emblemáticas como foi a de Maria Prestes. Ela dizia: “a gente não tem outro Brasil não, só tem esse, então temos que lutar”.