Se no primeiro filme Moana queria saber o quão longe ela iria, agora ela mesma responde dizendo que vai além. Pensado inicialmente como uma série para a Disney+, o estúdio decidiu que ganharia mais dinheiro com o lançamento para o cinema. Dessa forma, Moana 2 chega aos cinemas oito anos depois do original com a mesma dupla de protagonistas em Auli’i Cravalho e Dwayne Johnson, mas Lin-Manuel Miranda não retorna como compositor, sendo substituído pela dupla Abigail Barlow e Emily Bear.
O filme é bem semelhante ao primeiro em estrutura, em especial musicalmente: tem a música do vilarejo, a música sobre o que a Moana deseja, a música de um personagem vilanesco e o Maui também ganha uma nova canção. Além disso, a ameaça é novamente um deus furioso em um local distante, mas o objetivo desta vez é unir os povos do oceano e desvendar o que há além do que foi explorado pela comunidade da nossa heroína no passado. Para essa aventura, unem-se a Moana três novos personagens (com uma canção para apresentá-los também), além do frango e do porco, enquanto Maui está inicialmente em uma aventura paralela.
A animação continua bela e criativa, com texturas muito palpáveis nas roupas e cabelos, e o neon destacando o mundo espiritual que circunda Moana. Há uma sequência envolvendo um molusco gigantesco e os piratas coquinhos do primeiro filme que é muito grandiosa e impressionante pela quantidade de detalhes e movimentos na tela, mas que mantém a fácil compreensão do que está acontecendo. Os novos personagens também têm designs e personalidades bem distintas entre si – apesar de manter o “rostinho Disney” das mulheres – são diferentes dos “blocos de amigos” de alguns filmes recentes de Disney e Pixar, como Wish: o Poder dos Desejos (Buck, 2023) e Red: Crescer é uma Fera (Shi, 2022).
Como musical, a ausência do Lin-Manuel Miranda (que eu adoro) não é tão sentida; as canções são potentes da mesma maneira, apesar de não ter uma tão divertida quanto Shiny, do primeiro filme. Mark Mancina and Opetaia Foaʻi retornam como compositores da trilha sonora, trazendo os elementos polinésios para as músicas, e os unindo aos gêneros musicais clássicos Disney. O destaque para mim é o solo do Maui. Dessa vez colocaram Dwayne Johnson para cantar mais, em uma sequência que não é apenas agradável sonoramente, mas também é acompanhada de uma bela animação, que parece formada por recortes coloridos, junto do 3D tradicional. Apesar disso, a que sai do cinema com você é a nova How Far I’ll Go, a ótima Beyond.
O filme de 2016 é um dos meus favoritos do estúdio e por isso não me incomoda que este segundo longa seja tão parecido com o original; porém entendo os que não vão gostar disso, especialmente se já não gostam do primeiro, para começo de conversa. No entanto, acredito que o lançamento mantém a qualidade e há evolução da dupla protagonista entre um filme e outro, bem como uma expansão do universo, com novos personagens e dinâmicas, além de abrir possibilidades interessantes para a história no futuro (não se engane, teremos mais filmes). O fato é que eu estarei lá para as próximas aventuras de Moana, sempre empolgada para ver o quão longe ela vai e para descobrir o que mais há além.