Twister talvez seja um blockbuster esquecido pelos jovens, mas fez um sucesso imenso com o público lá nos idos de 1996 e nos anos seguintes no Brasil, sendo reprisado inúmeras vezes nos horários de filmes das redes de televisão. Com o diretor recém saído do ótimo Velocidade Máxima (1994) e produção de Steven Spielberg, o longa tem muitas semelhanças com outros filmes de ação, desastre e monstros da época. A dupla de roteiristas formada por Michael Crichton e sua esposa Anne-Marie Martin também é remanescente desses gêneros, sendo Crichton conhecido já na época por escrever os livros de Jurassic Park.
A narrativa segue Jo e seu grupo de “caçadores de tornados”, enquanto eles testam um equipamento inovador para conhecer o interior dos twisters e assim conseguir soar os alertas mais cedo, salvando mais vidas. Bill, no entanto, aparece com sua noiva, no meio da preparação para a caça, pedindo para que Jo entregue assinados os papéis do divórcio. Assim o novo casal é pego de surpresa por um evento climático onde diversos tornados se agrupam em um mesmo local e viajam com a trupe de cientistas para alcançar as tempestades.
Apesar da premissa simples e de o diretor ter o foco completamente voltado para as cenas majestosas de ação, ele escolheu bem o elenco, que é muito carismático e tem uma dinâmica entre eles única o suficiente para não ser derivativo. Os arquétipos de personagem também são bem utilizados. Tem, por exemplo: a noiva leiga (o espectador) para quem são dadas as explicações científicas, a moça forte e independente, o herói relutante, o doidinho engraçadão, o vilão com mais recursos, mas menos talento. E isso é o suficiente para criar simpatia em quem assiste.
É nas cenas de ação que o filme brilha mais. Os efeitos especiais dos tornados e tempestades e principalmente o som, trazem uma atmosfera de terror arrebatadora. Com vento, poeira, madeira, às vezes vacas voando e um rugido grave, o fenômeno meteorológico se torna um monstro gigante correndo atrás deles, ao invés do contrário. O diretor assume a natureza realista da situação, mas com um toque de fantástico e improvável nas cenas, priorizando o espetáculo. A trilha sonora também contribui para a dinâmica e a animação, seja na orquestração mais clássica de ação e aventura, ou com canções de rock e guitarras.
Embora Twister pareça às vezes ter sido dirigido por Steven Spielberg, pelo ritmo, arquétipos, temas, escopo, o diretor Jan de Bont deixa sua marca com diálogos rápidos e sempre filmados em movimento, além das já mencionadas cenas frenéticas de perseguição com o perigo iminente. É um ótimo blockbuster para ser revisitado, que permanece eletrizante e divertido para assistir na telinha.