O tempo é o senhor da razão. Se há um filme que melhor define essa frase, é este. Fracasso de bilheteria e de crítica em proporções tão grandes — a ponto de falir um estúdio inteiro — quanto sua própria produção, hoje ele é revisitado e lembrado como um dos melhores filmes já feitos na história. E não é por acaso. O cinema de Michael Cimino sempre demonstrou-se como um destaque à parte dentro do cinema autoral da Nova Hollywood nos anos 70. Desde O Franco-Atirador (1978), seu filme mais célebre, é possível perceber como suas obras são, segundo o próprio diretor, sobre pessoas e não sobre ideias. O Franco-Atirador não é um filme sobre a Guerra do Vietnã, tanto quanto O Portal do Paraíso não é sobre a Guerra do Condado de Johnson. São filmes sobre personagens vivendo e compartilhando suas vidas uns com os outros e sobre como essas vidas são afetadas por fatores mais hostis e trágicos de seu país. Os contextos históricos e as temáticas funcionam apenas como aquilo que cerca essas pessoas e as transforma, de modo que vamos conhecendo e entendendo quem elas são — e o que são — quando agem sob algum tipo de pressão.
Essa valorização dos personagens está presente também na maneira como Cimino gosta de estender boa parte da duração de seus filmes para destacar essas vivências mais genuínas e tudo aquilo que faz a vida valer a pena — como, por exemplo, nas longas sequências iniciais do casamento em O Franco-Atirador. O Portal do Paraíso, que pode ser enxergado como uma extensão de seu antecessor em vários sentidos, estica essa duração ao máximo não apenas no início, mas sim ao longo de todo o seu tempo. Isso porque é importante que o filme permita que seus personagens respirem e vivam (ou sobrevivam). No filme de 1978, a primeira parte funciona como uma espécie de calma antes da tempestade. Já neste, a tempestade está presente desde o início, pairando sobre as discriminações e os descasos com as comunidades imigrantes, que viviam sob constante ameaça das leis, como uma bomba-relógio apenas esperando a hora de explodir. E quando explode, o estrago é de proporções gigantescas.
A influência do cinema de John Ford nesse filme é fortíssima, seja no gênero western, nas críticas históricas ou na valorização dos espaços. O maximalismo visual do filme é definitivamente impressionante e repleto de grandeza. A precisão nos detalhes, a diversidade de grandes cenários, as batalhas sangrentas e as paisagens vastas (sejam elas belas e atraentes ou sujas e soturnas) destacam esse contraste de uma terra de luz e sombras.
Mas, pela ideia de ser um filme sobre pessoas, a maior influência talvez esteja principalmente nessas dinâmicas mais triviais, festivas e dramáticas, pois ressaltam um valor comunitário muito forte e muito caro à identidade nacional dos EUA. Também há características do cinema de Clint Eastwood (outro grande influenciado por Ford), principalmente na maneira como trabalha com seus personagens. Não existe um julgamento de seus protagonistas; eles simplesmente agem de acordo com suas personalidades e são impulsionados pelas circunstâncias. Diferente das elites americanas, que são mostradas como enfadonhas, arrogantes e cruéis.
O longa mostra muito pouco dos antagonistas, pois reforça uma bolha totalmente distante do resto da população; e também porque, diferente de como a câmera mostra o povo do condado, eles não os enxergam como humanos. Tal qual faz o imperialismo norte-americano com a população mundial e com a do seu próprio país, principalmente com a população imigrante, que sempre foi uma minoria fortemente atacada pela hipocrisia das leis. E é disso que O Portal do Paraíso também fala, através de um certo recorte histórico de seu passado.
Como Cimino disse não apreciar filmes sobre ideias, não existe nenhuma imposição ideológica que antecipe o filme em si, de forma a torná-lo pedante e sem interesse algum em como isso se transmite. As temáticas vão se construindo organicamente conforme a história vai sendo contada, o que é muito melhor do que quando o discurso vem antes do longa — algo que acaba sendo um modus operandi de quem quer abordar alguma crítica social, mas de forma mal-sucedida.
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