Fernanda Torres: Além de Ainda Estou Aqui
No último domingo, nossa queridíssima Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama) pelo filmaço Ainda Estou Aqui (Salles, 2024). A Plano Marginal já fez várias listas com muitos filmes nacionais excelentes, além de nossas críticas.
Portanto, a intenção hoje é homenagear uma mulher que, não satisfeita de nascer da icônica Fernanda Montenegro, ainda conseguiu provar que sua carreira merece ser valorizada tanto quanto a de sua mãe. Atriz mais reconhecida por comédias como Os Normais (2001-2003) e Tapas & Beijos (2011-2015), Fernanda Torres é o nosso Pikachu, como bem já disse.
Eis uma lista de 7 filmes, de variadas épocas e gêneros, da carreira ilustre de Fernanda Torres. E VAMOS TORCER PRA ESSE OSCAR, MEU POVO!!!

A Marvada Carne
Fernanda Torres interpreta Carula, uma garota que reza todos os dias para ter um marido. Certo dia, Nhô Quim, um homem que perambula pelo interior atrás de carne de boi, chega em sua aldeia, e Carula enxerga nele uma oportunidade. André Klotzel constrói uma comédia bem brasileira, que alinha a cultura interiorana com o nosso folclore. Divertido, carregado de subtexto, e com uma Fernanda Torres que já apresenta seu talento desde jovem. E como cereja do bolo, temos Regina Casé interpretando o Diabo!

Eu Sei que Vou Te Amar
Um jovem casal cujo casamento fracassou por motivos incertos se reencontra para desvendar o que aconteceu com seu relacionamento. Fernanda Torres e Thales Pan Chacon protagonizam um longa assumidamente teatral (em locação e performances), mas que em momento algum abandona suas possibilidades cinematográficas. Jabor conduz essa DR de forma que fique progressivamente mais ensandecida pela forma inalcançável de se entender os sentimentos mais contraditórios provocados pelo amor, em seu sucesso e em seu fracasso.

Terra Estrangeira
Durante a crise econômica gerada pelos escândalos do Governo Collor, um jovem paulistano viaja para a terra de sua falecida mãe, em Portugal, e se envolve com alguns contrabandistas também brasileiros. Esse é um dos filmes mais importantes do período conhecido como Retomada e a obra que estabeleceu Walter Salles como um dos grandes nomes desse período, antes mesmo de Central do Brasil (1998). Há um equilíbrio entre uma abordagem mais direta e outra mais contemplativa na direção de Salles e Thomas sobre a experiência de imigrantes latinos na Europa.

Traição
Essa antologia se baseia em crônicas de Nelson Rodrigues que satirizam, de forma tragicômica ou provocativa, o adultério em meio à classe média carioca em períodos diferentes do século XX. Um homem que se relaciona com uma mulher casada; outro que trai a noiva com sua cunhada menor de idade; e outro que flagra sua esposa com seu melhor amigo em um motel. Apesar de ter problemas típicos de filmes antológicos e alguns vícios do cinema da Retomada, o trio da direção consegue unir estilisticamente suas histórias a partir de um melodrama farsesco que soa como uma brincadeira com os filmes noir dos anos 1940.

Casa de Areia
Em Casa de Areia, acompanhamos uma mulher grávida que é levada pelo marido a um deserto sob a promessa de uma melhora na condição de vida do casal e, após a morte dele, precisa viver com sua mãe e futura filha nesse lugar inóspito. É um projeto de família: Fernanda Torres contracena com sua mãe, Fernanda Montenegro, sob a direção de seu marido Andrucha Waddington, unidos por uma trama angustiante com toques de pesadelo sobre o desamparo de pessoas que parecem separadas do mundo, presas a um eterno ciclo de desgraças e de solidão.

Jogo de Cena
Mulheres comuns são convidadas ao Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, para relatar suas vivências. Ao longo do filme, também vemos atrizes reinterpretando seus relatos. Rostos conhecidos da TV e do cinema mainstream (como Fernanda Torres, Marília Pêra e Andréa Beltrão) tornam esses momentos reconhecíveis e relatam a experiência dessas reencenações, enquanto atrizes menos conhecidas nos inspiram a questionar o que é real e o que é interpretação. Coutinho usa o minimalismo de seu cenário para embaralhar a estrutura e provocar as noções sobre o documental.

Saneamento Básico: O Filme
Uma comédia que acompanha um grupo de moradores de uma pequena vila no sul do Brasil que, para conseguir fundos para melhorar o tratamento de esgoto de sua cidade, começa a produção de um filme B. Saneamento Básico é talvez uma das melhores comedias do cinema brasileiro, onde a naturalidade de seus atores e seu humor peculiar geram várias das cenas mais engraçadas que você verá, tudo isso junto de uma narrativa sobre como a arte é importante ao serviço social.