Nouvelle Vague Francesa: A Nova Onda do Cinema Francês dos Anos 60

A Nova Onda do Cinema Francês, ou Nouvelle Vague Francesa, foi um movimento artístico revolucionário que surgiu no final dos anos 1950 e se consolidou nos anos 60. Ele marcou uma ruptura radical com as convenções do cinema francês da época, que era caracterizado por produções mais tradicionais e formais. A expressão foi lançada pela jornalista Françoise Giroud, em 1958, na revista L’Express ao fazer referência aos novos cineastas franceses em ascensão.

Esses jovens, mesmo sem apoio financeiro dos grandes estúdios da época, realizaram seus primeiros filmes conotados com esta expressão caracterizada pela juventude dos seus autores, unidos por uma vontade comum de transgredir as regras normalmente aceitas do cinema comercial.

Os jovens diretores se dividiam em dois grupos, O Grupo da Margem Direita, composto pelos cineastas François Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Eric Rohmer e Jacques Rivette, e o Grupo da Margem Esquerda, composto pelos cineastas Alain Resnais, Agnès Varda e Chris Marker. Todos amigos que compartilhavam seus sonhos em mudar a face do cinema de seu país.

01

Nas Garras do Vício

Claude Chabrol
1958

Considerado por muitos críticos como o marco zero da Nouvelle Vague, o primeiro filme do grande cineasta Claude Chabrol narra a história de François, um jovem em processo de recuperação de uma doença, que retorna até sua vila natal e reencontra Serge, seu amigo de infância que se encontra em um estado severo de alcoolismo. Nas Garras do Vício se revela muito mais do que um história de redenção e heroísmo, muito pelo contrário, Chabrol constrói todas as relações de sua história em torno de tragédias, revelando ao mundo seu estilo ácido e não delicado ao lidar com o cinema e suas emoções.

02

Hiroshima Mon Amour

Alan Resnais
1959

O que poderia soar como um romance clássico, é subvertido pela vanguarda formal da Nouvelle Vague que se formava aos poucos. Uma francesa e um japonês se conhecem no cenário devastado da Hiroshima pós-bomba atômica e compartilham experiências traumáticas que sofreram durante a Segunda Guerra, traumas esses que acabam por unir ainda mais o casal. Resnais, tendo já trabalhado com documentários previamente, choca o melodrama romântico com uma visão documental dos horrores da guerra. O romance à flor da pele se torna um refúgio de um realismo doloroso e aterrador que revela o pior dos atos da Humanidade.

03

Os Incompreendidos

François Truffaut
1959

Um dos maiores representantes da Nouvelle Vague, Os Incompreendidos, chamado originalmente de Les quatre cents coups, conta a história de Antoine Doinel, um pré-adolescente que se vê numa espiral de sofrimento. Sua estrutura familiar é marcada por problemas entre sua mãe e seu padrasto e o ambiente escolar é fortemente caracterizado por uma aura de autoritarismo, fatores que o levam a começar a matar aula junto de seu amigo. Para além de um filme intimamente relacionado às memórias do diretor, Truffaut também elabora um retrato melancólico da adolescência.

04

Acossado

Jean-Luc Godard
1960

Colocado constantemente no pódio de melhor filme de todos os tempos, o longa de estreia de Jean-Luc Godard talvez seja o maior representante das mudanças revolucionárias na narrativa e no estilo do cinema francês. Michel, um jovem delinquente, rouba um carro e está sendo perseguido pela polícia, no caminho, ele se encontra com Patricia, uma jovem americana que sonha em ser jornalista, e tenta convencê-la a fugir com ele do país. A história é uma mistura de romance e crime, e explora temas como a liberdade, a busca por identidade e o confronto com a moralidade.

05

Cléo das 5 às 7

Agnés Varda
1962

O segundo longa de Agnès Varda se torno um dos grandes nomes da Nova Onda, sendo notável pelo seu realismo narrativo, contado em tempo real, proporcionado uma sensação de urgência e imediata conexão com o estado emocional Cleo, uma jovem cantora que espera por um possível diagnóstico de câncer. Um retrato íntimo e sensível da vida de uma mulher em um decaimento mental, lidando com sua mortalidade, identidade e ansiedade. Varda utiliza uma variedade de técnicas cinematográficas para capturar o estado psicológico da personagem e criar um retrato da Paris da época.

06

La Jetée

Chris Marker
1962

Feito a partir de fotomontagem, La Jetée é um curta metragem de ficção científica pós apocalíptico sobre um homem que participa de um experimento e é obrigado a viajar no tempo para compreender o presente. Assim, ele acaba se envolvendo com uma mulher, uma lembrança da infância. Este marco da nova onda francesa é referência para o cinema, tendo sido a base de 12 Macacos, por exemplo, mas também para outras mídias como literatura, jogos de videogame e letras de músicas.

07

Minha Noite Com Ela

Éric Rohmer
1969

A história gira em torno de Jean-Louis, um engenheiro de 30 anos devoto aos catolicismo que leva uma vida metódica e controlada. Durante uma noite de nevasca, ele encontra Maud, uma mulher separada e de mentalidade livre que irá mexer fortemente com suas convicções de vida. Amplamente aclamado por sua abordagem sofisticada e introspectiva dos dilemas morais e emocionais, Rohmer desenha um conto que questiona a moralidade religiosa, revelando as complexidades das relações humanas. Minha Noite com Ela é um dos marcos da série “Contos Morais” do diretor, que ajudou a consolidar a reputação de Rohmer como um mestre do cinema autoral e reflexivo.

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