Pedro Almodóvar: As Cores e os Desejos do Cinema Almodovariano

Em homenagem ao país vencedor da última Copa do Mundo de futebol masculino, nesta edição vamos falar sobre o mais famoso diretor espanhol: Pedro Almodóvar. Ele começou sua carreira no cinema em uma época em que a contracultura estava em ebulição numa Espanha recém liberta da ditadura de Franco, em 1975, sendo uma figura central no movimento que ficou conhecido como La Movida Madrileña.

Em seus primeiros curtas o diretor já criticava o catolicismo e o franquismo explorava temas como liberdade sexual e a vida noturna de Madri e Barcelona. Mas foi com o segundo longa, Labirinto das Paixões (1982), que estabeleceu, com o diretor de fotografia Ángel Luis Fernandez, a estética de cores fortes e contrastes que seriam marcantes em seus filmes.

A aclamação crítica e de público chega com o premiado Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988). É neste momento em Pedro Almodóvar também se estabelece como um “diretor de mulheres”, tendo colaborado diversas vezes com as atrizes Carmem Maura, Rossy De Palma, Victoria Abril, Marisa Paredes e Penélope Cruz, para citar algumas.

Com uma carreira de sucesso que atravessa seis décadas, o diretor é um dos principais nomes do cinema europeu e LGBT+ em atividade, com seu filme mais recente, Natal Amargo, lançado este ano.

01

A Lei do Desejo

Pedro Almodóvar
1987

Seguindo o estilo visual e de narrativa que torna os filmes de Almodóvar memoráveis, este conta a história de um diretor gay de cinema, Pablo Quintero, em um namoro em declínio, que se envolve com Antonio Benítez, um jovem inexperiente obcecado por seu filme, que logo se torna obcecado, também, por Pablo. O desejo, a que se refere o título, é explorado em uma trama que trata de diversos tabus, misturando suspense, melodrama e comédia.

02

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos

Pedro Almodóvar
1964

Uma comédia frenética e toda moldada ao redor de um grupo de mulheres lidando com diversas situações absurdas. A protagonista é Pepa Marcos, uma atriz e dubladora que descobre que seu amante, Iván, decidiu abandoná-la. A partir disso, Pepa passa a ser o epicentro de uma gama de problemas, com sua amiga desesperada, o filho e a ex-esposa de seu amante e até mesmo uma trama terrorista.

03

Ata-me

Pedro Almodóvar
1989

O filme é um romance sobre duas pessoas desajustadas que se encontram de uma maneira inusitada, talvez até problemática, com pitadas de fetiche e excentricidade. Ricky sequestra Marina, por quem é apaixonado, após ter alta de um hospital psiquiátrico, e a mantém presa em para que ela corresponda à sua paixão. Ela, por sua vez, é uma atriz de terror trash recém livre do vício em heroína que vê nele um cuidado que ela não tinha antes.

04

Tudo Sobre Minha Mãe

Pedro Almodóvar
1999

A narrativa gira em torno de Manuela, uma mãe que perde o filho adolescente em um acidente depois de assistirem uma montagem da peça Um Bonde Chamado Desejo. Em seu luto, ela muda de Madri para Barcelona, onde pretende localizar o pai do rapaz e recomeçar a vida. Lá ela se conecta com um um grupo diverso de mulheres, que incluem uma freira, uma prostituta trans e as atrizes da peça de teatro.

05

Volver

Pedro Almodóvar
2006

Talvez o maior representante de como Almodóvar consegue articular um drama denso envolto em temas pesados com uma leveza excêntrica, Volver acompanha as irmãs Raimunda e Sole enquanto lidam com o luto pela morte abrupta da mãe, uma tia doente e relações familiares complicadas, especialmente quanto a Paula, filha adolescente de Raimunda. A magia colorida é intercalada pela realidade em um marcante conto sobre ausência.

06

A Pele que Habito

Pedro Almodóvar
2011

Uma mulher é mantida em cativeiro por um cirurgião plástico, que a usa para experimentos ilegais. Mesmo que com um tom, por vezes, cartunesco ou novelesco, e sem alguns signos típicos do terror (sustos, gore), o filme traz horrores que tratam de medos primordiais relacionados tanto a ser mulher quanto a ser homem. Tudo isso envolto de mistérios que adicionam camadas de complexidade ao absurdo da trama.

07

Dor e Glória

Pedro Almodóvar
2019

Muitos diretores autorais acabam, cedo ou tarde, fazendo seu próprio (Fellini, 1963) e essa foi a vez de Almodóvar. Espelhando-se no Salvador Mallo de Antonio Banderas, o diretor reflete sobre sua própria vida e sobre sua arte, de forma inerentemente interligada, encarando sua mortalidade, seus bloqueios criativos e seu amadurecimento artístico a partir de perdas e arrependimentos. Um belo estudo de seu próprio ego.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *