O Cinema de John Ford: O Maior Cineasta da Era de Ouro de Hollywood

John Ford (1894–1973) é historicamente considerado o maior e mais importante diretor do cinema dos EUA. Sua maneira de conduzir suas obras foi fundamental para definir o tipo de cinema clássico que estava sendo moldado durante a Era de Ouro de Hollywood e influenciou fortemente a carreira de diversos cineastas, como Orson Welles, Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, entre outros grandes nomes.

Sua extensa filmografia tornou-se bastante popular, principalmente pelos faroestes, gênero no qual Ford se consagrou como um mestre de enorme prestígio ao introduzir abordagens novas e surpreendentes para a época. Ele se valeu dessas narrativas para construir e, até mesmo, desconstruir vários de seus arquétipos, utilizando o faroeste como espaço de reflexão sobre ideais como o herói americano, valores comunitários, desigualdade social, histórias de cavalaria e o embate entre brancos e nativos; tudo isso como elementos que ajudaram a moldar a identidade da nação estadunidense.

Portanto, indicaremos alguns filmes que consideramos essenciais e indispensáveis para conhecer a obra desse grande diretor, passando tanto pelos faroestes quanto por outros gêneros que explorou.

01

O Delator

John Ford
1935

Adaptado do romance homônimo de Liam O’Flaherty, o trabalho que rendeu a Ford o seu primeiro Oscar de Melhor Direção é uma obra que mergulha na consciência culpada de Gypo Nolan, ex-membro da resistência irlandesa, que denuncia seu melhor amigo, um membro ainda ativo e procurado, para as autoridades locais. O longa é um caso curioso na Hollywood dos anos 1930, muito por conta da influência do Expressionismo alemão em sua fotografia.

02

No Tempo das Diligências

John Ford
1939

Adaptação do conto The Stage to Lordsburg de Ernest Haycox e primeiro grande sucesso dos faroestes de John Ford, o filme acompanha um grupo de pessoas de diferentes classes sociais que viajam juntas em uma diligência, cada uma com um objetivo distinto, e que, ao longo do percurso, passam a conviver com suas diferenças. Para chegar ao destino, precisam atravessar um território perigoso, habitado por guerreiros apaches.

03

As Vinhas da Ira

John Ford
1940

Adaptado do romance homônimo de John Steinbeck, o longa acompanha a família Joad, expulsa de suas terras no interior do Oklahoma por grandes empresários ambiciosos, em sua viagem até a Califórnia, seguindo um anúncio de oportunidades de trabalho. É o filme político mais impactante de Ford e, talvez, o ponto em que seu cinema mais claramente articula ética, forma e consciência social.

04

Como Era Verde o Meu Vale

John Ford
1941

Equivocadamente conhecido por derrotar Cidadão Kane no Oscar de Melhor Filme e adaptado do romance homônimo de Philip Dunne, o longa aborda temas como desigualdade social, nostalgia e valor comunitário ao narrar a história de Huw Morgan, um homem de 50 anos que relembra sua infância no País de Gales. Nesse período, ele percebe a crescente divisão familiar quando o pai, ao contrário dos filhos, não adere à greve dos trabalhadores locais.

05

Depois do Vendaval

John Ford
1952

Muito lembrado como a comédia mais famosa de John Ford, o filme que rendeu seu último Oscar narra o retorno do estadunidense Sean Thornton ao seu local de nascimento na Irlanda: a pequena cidade de Inisfree. Sean acaba tendo dificuldade em se adaptar aos costumes locais, muito por conta de um antigo trauma relacionado a sua antiga vida nos EUA, algo que interfere diretamente na relação com sua esposa, a irlandesa Mary Kate.

06

Rastros de Ódio

John Ford
1956

Ethan Edwards, veterano confederado da Guerra Civil, retorna ao rancho de sua família. Um dia, comanches invadem o local, matam seus parentes e raptam sua sobrinha. Ethan parte, ao lado do sobrinho mestiço Martin, em uma jornada de vingança que dura anos para resgatar a jovem. Martin, então, passa a perceber o racismo profundo de Ethan e seu desejo obsessivo em matar indígenas, independentemente de quem sejam.

07

O Homem que Matou o Facínora

John Ford
1962

Marcando uma espécie de fim do Velho Oeste, o filme acompanha o senador Ransom Stoddard, que retorna a Shinbone para o funeral de um velho amigo. Em entrevistas com jornalistas, ele relembra sua chegada à cidade como jovem advogado, a luta pela alfabetização, democracia e direito ao voto, e como o confronto com o bandido Liberty Valance foi decisivo para sua carreira política.

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