Força Bruta: Sem Saída (2023), terceiro filme da franquia coreana Beomjoidosi, é um thriller de ação ininterrupta, com muita trocação franca entre policiais e mafiosos e pitadas de comédia, no estilo dos filmes de Hong Kong. É, aliás, um bom exemplo da influência do cinema de ação honconguês em outros países, seguindo diversos clichês do gênero, como o uso de artes marciais (no caso, aqui, o boxe), presença de policiais incompetentes ou corruptos, vilão tão ameaçador quanto caricato, além dos momentos cômicos e a dinâmica de amizade entre os personagens.
A história segue o detetive Ma Seok Do, interpretado, com muito carisma, pelo ator Ma Dong Seok (também chamado de Don Lee), que talvez você conheça por seu papel coadjuvante (porém icônico) no filme de 2016, Invasão Zumbi. Ao investigar um suposto suicídio, ele descobre que o caso foi, na verdade, um assassinato, que envolvia o consumo de uma nova droga no mercado, chamada “hyper”. O detetive e sua equipe, então, durante a investigação, se deparam com um esquema de compra e venda envolvendo gangues coreanas, policiais corruptos e até a Yakuza, organização criminosa japonesa.
Da mesma forma que os dois filmes anteriores, essa sequência também tem como inspiração um crime real — no caso, um grande esquema de contrabando de metanfetamina ocorrido em 2017-2018, que foi solucionado com ajuda de Japão e Taiwan. No entanto, não é preciso ter assistido aos filmes anteriores para entender o terceiro: é apenas mais um crime a ser solucionado pelos mesmos personagens.
Além da força bruta cômica de Ma Seok Do de Don Lee, outro destaque do filme é o antagonista, próprio dessa sequência, Joo Sung-chul (Lee Joon-hyuk), que ao mesmo tempo em que tem uma presença ameaçadora e explosões de violência, também está pressionado por mafiosos poderosos. Por isso, criamos uma empatia por ele e, em alguns momentos, torcemos para ele se safar de situações complicadas.
Seguindo a fórmula de ação já mencionada, o filme não dá um respiro para o espectador, emendando as sequências de luta e de diálogos expositivos de ritmo acelerado umas nas outras, sempre em movimento. Em certos momentos isso fica cansativo, e não dá espaço para desenvolvimento de personagem. Um exemplo é uma cena em que o protagonista e o vilão se encontram sem saber e parece que vamos ter um embate, mas o filme praticamente pausa para um novo vilão ser introduzido e criar toda uma missão paralela (menos carismática pela falta de Don Lee em cena) com as lutas filmadas de forma semelhante, com planos abertos em locais fechados e muitos capangas derrotados.
Apesar de tudo, um clichê é um clichê porque funciona muito bem há décadas, e aqui não é diferente (já são quatro filmes na franquia, aliás). Força Bruta: Sem Saída entretém; é um ótimo filme para ver em grupo e torcer pelos personagens. Também não há necessidade de ver os outros para entender a história. Ah, e fique um pouquinho depois dos créditos!