Depois das várias questões políticas envolvendo a produção deste longa por conta das falas da atriz Melissa Barrera contra os atos genocidas de Israel na Palestina e o eventual desligamento de Jenna Ortega da franquia, enfim chegamos a Pânico 7. Além desse ambiente conturbado, outro detalhe que gerou uma certa curiosidade acerca do longa foi a escalação de Kevin Williamson para a direção, que só havia trabalhado anteriormente, e unicamente, como diretor no suspense cômico Tentação Fatal (1999). Apesar de todos esses acontecimentos sofríveis, posso dizer que o sétimo capítulo da franquia não abandona suas raízes narrativas e estéticas, e talvez esse seja um de seus principais detalhes negativos. Afinal, ao lado dos bastidores controversos, há aqui uma certa dificuldade em estabelecer e atualizar suas temáticas, fazendo isso de uma maneira curiosa, porém mal executada em diversos momentos.
A ideia desde o início aparenta girar em torno da passagem de protagonismo de Sidney (Neve Campbell) para sua filha Tatum (Isabel May), fazendo da personagem um centro de referências nostálgicas a alguns elementos do primeiro filme. Isso é visível na cena em que Tatum veste a exata mesma jaqueta de couro que sua mãe utilizou durante a sequência final de Pânico (1996), e também em seu nome, referente a Tatum Riley, a antiga amiga de Sidney falecida durante os acontecimentos do primeiro capítulo, interpretada por Rose McGowan.
Tudo em torno dela parece se voltar para uma “passagem de manto”, algo que poderia até ser interessante se os elementos narrativos que a acompanham agregassem algo em sua construção como protagonista. Seu círculo de amigos é nulo em dramaticidade e seu namorado apenas serve como o suspeito que transita entre ser o culpado óbvio e o inocente injustiçado. Esse clichê do namorado assassino é algo que acompanha a franquia desde o início; mas aqui funciona mais como um trauma de Sidney passado para sua filha do que uma característica satírica. Um tom de drama familiar que se aprofunda de maneira muito rasa em praticamente todos os seus momentos dentro de sua narrativa.
Indo além do núcleo dramático do longa, algo que me gerou certa curiosidade foi o discurso anti inteligência artificial adotado durante as sequências de suspense — próximo ao tratamento satírico que Wes Craven realizou nos primeiros filmes, sempre apontando as controvérsias formais de Hollywood nas obras de terror, e como o imaginário popular reagiu a esses detalhes. Contudo, aqui, o uso da IA pelos assassinos se resume na tentativa de reviver a imagem de Stu Macher (Matthew Lillard), um dos icônicos vilões de Pânico (1996).
Isso, novamente, remete à imensa vontade da produção em apelar para os aspectos nostálgicos dos antigos filmes de Craven, em que a imagem de Stu serve apenas como um lembrete do passado traumático de Sidney. Ele não oferece perigo e nem impacto como vilão, pois Williamson está mais disposto a expor esse discurso do que a aplicar a modernidade do cinema na trama em si e em suas características fílmicas, como Craven realizou de forma magistral em Pânico 4 (2011). A imagem modificada de Stu se torna apenas um elemento de impacto e tensão que falha muito em sua execução, sem nunca atuar como o fantasma do antigo vilão que tentam construir aqui, e mais como parte de um discurso vazio que nada agrega a atmosfera de terror.
Apesar desses pontos negativos, Williamson (de forma até inesperada) consegue compor belos quadros relacionados à atmosfera de terror slasher. Alguns deles se estendem por diversos minutos, compostos por diversos fundos escuros que se tornam a morada de Ghostface em diversos momentos, tratando a imagem do vilão como um literal fantasma sanguinário, que assombra a vida de Sidney. Porém, apesar de conter boas composições de imagem por parte do diretor, elas parecem não conversar com a ideia geral do filme. Esses momentos bons de terror são logo sobrepostos pelas cenas que exaltam essa temática da falsa verdade das IA, parecendo dois longas diferentes tentando se interligar, falhando no processo.
Pânico 7, portanto, não se limita em apenas sofrer com problemas de produção, mesmo no resultado em tela não parece fazer da franquia, mas sim uma tentativa de reviver suas ideias antigas somadas às contradições do cinema moderno