Ingrid Bergman: Sete Filmes da Diva Escandinava

Ingrid Bergman, nascida em 29 de agosto de 1915 em Estocolmo, ficou marcada na história como uma das maiores atrizes do cinema global. Muito conhecida por sua beleza natural, sua versatilidade artística e sua presença marcante em tela, Bergman se tornou um ícone tanto em Hollywood, vencendo três Oscars, quanto no cinema europeu, com suas várias colaborações com o diretor italiano Roberto Rossellini, deixando um legado que atravessou gerações.

Entre o enorme sucesso nos EUA e os diversos prêmios que recebeu, a atriz expandiu sua carreira para o cinema europeu, onde sofreu um exílio moral depois de seu caso extraconjugal com Rossellini, acontecimento que abriu uma nova era em sua carreira. Depois de diversos trabalhos na Itália, a atriz retornou ao cinema hollywoodiano após alguns anos, realizando mais alguns filmes e até ganhando outro Oscar, se consolidando como um dos grandes nomes da sétima arte.

Quatro anos depois de seu último trabalho no cinema – o drama Sonata de Outono (Bergman, 1978) – no dia 29 de agosto de 1982, Ingrid Bergman faleceu em decorrência de um câncer de mama, marcando o fim da vida de uma das maiores artistas que a Humanidade já concebeu.

01

À Meia-Luz

George Cukor
1944

Segunda adaptação da peça Gas Light (Hamilton, 1938) depois do longa britânico de Thorold Dickinson, lançado em 1940. Ingrid Bergman faz o papel de uma jovem órfã que herda a herança da tia, uma cantora de ópera, e casa repentinamente com um pianista italiano. O casal apaixonado se muda para a antiga casa da tia, em Londres, e tudo parece bem. Porém, aos poucos, a jovem acredita que está enlouquecendo ao notar que as luzes da casa estão oscilando e objetos estão sumindo sem explicação. O termo “gaslighting” foi inspirado no título deste filme para designar o ato de manipular uma pessoa ao ponto de ela questionar a realidade.

02

Quando Fala o Coração

Alfred Hitchcock
1945

O filme gira em torno de Constance, uma jovem e dedicada psiquiatra, que tem sua vida abalada com a chegada do novo diretor de sua clínica, o enigmático Dr. Edwards. Logo, ela percebe que há algo de errado com ele: Edwards demonstra comportamento instável e sinais de amnésia. A obra de Hitchcock foi uma das primeiras a utilizar a psicanálise como ferramenta central de investigação e resolução dramática em Hollywood, unindo isso ao estilo surrealista das sequências oníricas, idealizadas por Salvador Dalí. O longa marcou a primeira colaboração entre Bergman e o mestre do suspense, sendo seguida por Interlúdio (1946).

03

Os Sinos de Santa Maria

Leo McCarey
1945

Sendo uma continuação indireta de O Bom Pastor (1944), filme vencedor do Oscar também dirigido por McCarey, Os Sinos de Santa Maria acompanha o padre Chuck O’Malley durante seus primeiros dias como diretor de uma escola paroquial que está à beira da falência, onde ele se desentende com a freira Mary Benedict, uma das principais coordenadoras do local. Sua narrativa se baseia na diferença de visão entre O’Malley e Benedict, onde ambos buscam educar e dirigir a escola de maneira justa, mas partindo de abordagens diferentes. Isso dá origem a diversas situações divertidas e profundas, nas quais uma acaba aprendendo com o outro e vice-versa.

04

Joana d’Arc

Victor Fleming
1948

A obra retrata a trajetória de Joana d’Arc, jovem camponesa que, após uma revelação divina, lidera o exército francês contra o domínio inglês, conquistando a confiança de seus soldados pela fé e pela determinação. Sua história, marcada pela vitória, captura e condenação à fogueira sob acusação de bruxaria, também revela as tensões políticas e religiosas da época, expondo a corrupção do rei francês e da Igreja Católica, que a executou e, séculos depois, a canonizou. Mais do que uma guerreira, Joana é apresentada como uma figura cujos ideais transcendiam interesses mundanos e buscavam um horizonte espiritual maior.

05

Stromboli, Terra de Deus

Roberto Rossellini
1950

Stromboli conta a história de Karin, uma mulher lituana que, após o fim da Segunda Guerra Mundial, casa-se com Antonio, um italiano da ilha de Stromboli. Contudo, a vida isolada de ambos no local se mostra bem mais difícil do que o esperado, fazendo com que a protagonista fique cada vez mais infeliz e inconformada. O filme toma inspirações do neorrealismo e mistura a crueza característica do movimento com uma intensidade fascinante de Ingrid Bergman, que interpreta de forma fascinante sua personagem enquanto ela passa por uma espécie de Via Crucis ao longo da obra.

06

Indiscreta

Stanley Donan
1958

Do mesmo diretor que se junto a Gene Kelly para conceber o clássico Cantando na Chuva (1952), essa comédia romântica de Donen acompanha a atriz de teatro Anna, uma mulher solitária que já desistiu de viver um amor. Isso até conhecer Philip, um charmoso economista que a conquista rapidamente, embora seja um homem casado. O longa encanta com a enorme química entre Ingrid Bergman e Cary Grant – que já haviam contracenado em Interlúdio – em uma atmosfera graciosa e elegante típica das comédias dos anos 1950, unindo o peso dramático de uma traição aos momentos cômicos que essa relação adúltera garante à trama.

07

Sonata de Outono

Ingmar Bergman
1978

É até irônico que o filme derradeiro da carreira de Ingrid tenha sido conduzido por um conterrâneo que compartilha de seu sobrenome. Em uma fase em que Ingmar dispensava abordagens mais experimentais em prol de narrativas mais diretas sobre relações humanas, amorosas e/ou familiares, Sonata de Outono fala sobre a relação conturbada entre mãe e filha, que começa como uma recepção desajeitada e acaba se desenvolvendo para um resgate de rancores e memórias traumáticas, despejados em diálogos farpados e incisivos e uma melancolia subjacente quase sufocante. Ingrid e Liv Ullmann, duas das maiores atrizes da história, em um palco edificante de seus talentos.

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